Carlos Castelo

Crônicas publicadas no projeto.

O patriarca de Borá

De quando em quando faço a mesma peregrinação. Abandono as urgências da capital e sigo para Borá, o menor município paulista, com menos de mil almas e menor que o Parque Ibirapuera. Vou visitar meu avô, Pergentino Castelo. Ele é 80+ e mora sozinho num sítio cercado de galinhas, cachorros e ferramentas enferrujadas. Vive de sua plantação de quiabos. Nos

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Melhor não

Neymar não foi abduzido no jogo entre Brasil e Escócia. A notícia, que não saiu em nenhum jornal sério (portanto merece atenção) prova uma coisa: os alienígenas são seletivos. Durante anos imaginamos que eles viriam buscar nossos maiores talentos, nossos gênios, talvez um lateral-direito em extinção. Mas nada. Neymar estava ali, disponível, com dribles, histórico internacional e tornozelos já parcialmente

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Diàrio d’un sago di pangada

Gara spoza mia, Stô zcrivêno istu imeio c’ua mô tremêno come vara verdi nu’a ventania. Non guento maise, si signora! A vita nu gumando da Seleçó Brazileira é una urucubacca che nê o diabo quiz pigá p’ru zerviço. Tuttus dia io agorda cedo, pigo us giornale, i lá stó us gorvo da imbrenza a mi insgugliambá come si io fosse

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A fisgada

Sou a panturrilha do Neymar. Antes de mais nada, gostaria de esclarecer uma coisa: eu não pedi fama. Nasci para ser apenas uma panturrilha. Uma panturrilha honesta. Trabalhadora. Daquelas que empurram o corpo para frente sem exigir entrevistas coletivas. Mas o destino, que é um empresário inescrupuloso, tinha outros planos. Hoje sou mais comentada que muito ministro. Abro os jornais

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O insubstituível

Nos bastidores da Seleção, o clima é de expectativa. Não por causa de Neymar, que ainda ensaia sua entrada triunfal depois da fase de grupos, mas por causa de outro protagonista: Lesão. Lesão já está em concentração há semanas. Começou discretamente numa panturrilha. Agora, segundo novas informações, poderá estrear contra o Haiti usando a lendária camisa 10. A escolha não

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Kabu Verdi, nhamor

Tudo começou com Cesária Évora. A voz dela chegou primeiro, como chegam certas brisas marítimas: sem pedir licença. Depois vieram Assol Garcia, Bau, Humbertonia, Teófilo Chantre, Tito Paris e uma infinidade de músicos que transformam saudade em melodia e fazem o Atlântico parecer um instrumento de cordas. Sempre achei difícil explicar a sonoridade cabo-verdiana. É como se o samba tivesse

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Pergentino e a Copa

Mensagem que recebi no zap do meu avô, Pergentino Castelo, depois do jogo entre Brasil e Marrocos: “Nunca testemunhei desgraçamento esportivo tão estragoso quanto o tal do Galvão Bueno desembarcado no SBT para narrar Copa do Mundo. Dantes, futebol era coisa de respeito, de silêncio religioso, cada torcedor escutando o chute da redonda como quem ouve conselho de avô moribundoso.

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Deadline

Existe um prazo para cortar alguém da Seleção. O curioso é que não existe prazo para descobrir se ele pode jogar. Hoje é o último dia. A burocracia, que quase nunca entra em campo, está aquecida. Neymar continua sem ser testado. Não se sabe se corre, se para, se muda de direção ou se apenas contempla a possibilidade de tudo

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Sexto lugar

Começou a Copa e, como manda a Constituição, todo brasileiro é obrigado a dar um palpite. O meu: o Brasil termina em sexto lugar. Por que sexto, exatamente? Porque sexto é o número da estrela que não vem. Há uma simetria nisso que a FIFA ainda não estudou. Explico. Ou finjo que explico, que em matéria de Copa dá no

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Leivinha

Certos jogadores passam pelo campo. Outros passam pela vida da gente. Leivinha pertence à segunda categoria. Na adolescência, quando o mundo ainda era um lugar provisório e os heróis moravam a poucos quilômetros de casa, eu o via entrar em campo com aquela leveza que parecia desafiar a gravidade. Tinha algo de pássaro em seus movimentos. Os cronistas esportivos falavam

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