Deadline

Existe um prazo para cortar alguém da Seleção. O curioso é que não existe prazo para descobrir se ele pode jogar.

Hoje é o último dia. A burocracia, que quase nunca entra em campo, está aquecida. Neymar continua sem ser testado. Não se sabe se corre, se para, se muda de direção ou se apenas contempla a possibilidade de tudo isso. Mas já se sabe que, em algum momento entre o café da manhã e o fim do expediente, alguém terá que decidir.

É um método fascinante. Em qualquer outra área seria considerado um experimento. Imagine um elevador cuja inspeção fosse substituída pela lembrança de quantas pessoas ele já levou ao décimo andar. Ou um degustador de vinhos avaliado somente pelas entrevistas que concede sobre a uva Merlot.

Claro que futebol não é qualquer área. Futebol é uma ciência tão avançada que consegue usar a ausência como dado estatístico. Neymar não jogou ainda. Isso produz dúvidas. Mas também produz esperanças, projeções, gráficos imaginários e debates de televisão com setas coloridas.

A verdade é que a lesão criou uma versão quântica do jogador. Enquanto não entra em campo, ele está ao mesmo tempo apto e inapto, convocável e cortável. O problema é que o prazo vence antes da Física.

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