José Guilherme Vereza

Crônicas publicadas no projeto.

É CRISE DE ABSTINÊNCIA QUE CHAMAM, NÉ?

É como um livro que você vai ralentando, sorvendo as últimas páginas, letra a letra, palavra a palavra, situações a situações, personagens a personagens, empurrando o desfecho com a barriga, querendo que ele não acabe nunca. Ou aquela série encantada que anuncia o último episódio no cantinho da tela e pega você de jeito, com o prêmio de consolação do

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NÃO APROVARAM MEU ROTEIRO

Bruno Guimarães converte um pênalti no início do primeiro tempo. Os noruegueses ficam desarvorados, perdem ritmo de jogo e vão para o intervalo botando os bofes para fora. Na volta, o Brasil segue se impondo. Vini Jr. faz um lançamento preciso para Endrick, que, ganha do zagueiro na corrida e com um toque sutil desvia a bola do goleiro. Brasil

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CANARINHA

O amigo Antonino Brandão, que mora em Portugal me fez uma observação pertinente. E como tal, passei a reparar o carinho que os portugueses têm com a seleção brasileira. Chega a ser comovente. Eles chamam o nosso time de Canarinha. Do mesmo jeito que o Brasil inteiro chamava orgulhosamente os representantes da pátria de chuteiras, com mínima flexão de gênero.

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PERCURSOS

Confesso que o percurso do ônibus da seleção brasileira entre o hotel e o estádio me emociona legítima e infantilmente. Sinto que lá dentro carregam-se esperanças, redenções, alegrias iminentes, possibilidades de abraços, gritos e choros. E memórias insistentes. Ainda sobre percursos. Lembro que em 62, da janela do meu quarto num prédio da Tijuca, eu vi o Constellation da Panair,

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DUPLAS

Como publicitário fui bem acostumado a trabalhar em duplas. Um redator e um diretor de arte. Havia também a possibilidade de dupla de redatores, que mesmo sem o cacoete do esmero visual, funcionava muito bem, desde que um deles – ou os dois – tivesse aptidões conceituais e amplas, além das palavras. Saindo da propaganda e mergulhando em outras modalidades

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D. ELSA ESTÁ DANADA

Na esquina de minha rua, há uma bomboniere que serve um café divino. Quem comanda a lojinha é D. Elsa, uma senhora amável até dizer chega, portuguesa de nascimento, brasilianista de carteirinha (não acha graça no Neymar, conhece muito MPB e se espanta com a tal família nociva e armada que se imiscuiu no Brasil). É lá que começo meu

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NÃO É SÓ FUTEBOL

Final da Copa de 1962. Família reunida em torno do rádio de válvula torcendo pelo Brasil. Que era favorito. Tinha Garrincha, Didi, Nilton Santos, Vavá, Amarildo, Zagallo, entre outros que se eternizavam no meu álbum de figurinhas. Logo aos primeiros minutos de jogo, entre chiados e ruídos, ouve-se a voz desolada do locutor. “Gol da Tchecoslováquia, meus amigos.” Desânimo geral.

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A ALEGRIA DE UM POVO

Sadio Mané fez fortuna no futebol. Uma grande parte dela foi destinada a melhorar a triste realidade de Bambali, o vilarejo onde nasceu nos cafundós do Senegal. Mané fugiu sem chuteira para ganhar gramados, glórias e dinheiro. Deu certo. Mas não esqueceu Bambali. Investiu pesado em infraestruturas da sua cidadezinha natal, coisas essenciais que antes pareciam impossíveis de acontecer na

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VOU BOICOTAR NADA

Não boicoto Copa do Mundo. Assisto ao maior número possível de jogos, apesar das dificuldades de fuso horário e grades de transmissões para Portugal. Desde 1962 não perco um jogo do Brasil. Não sou contra quem faz boicote contra esta Copa. Motivos não faltam. O inominável tratamento do maior país sede a delegações de algumas nações -inclusive a árbitros –

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TIME ESCALADO

Coxinha; Bolinho de Bacalhau, Croquete e Quibinho; Alheiras, Tremoços e Azeitona; Aipim Frito, Pastel e Pica-Pau. No banco, o comando de Alentejano, seu auxiliar Beirão, o massagista Amarguinha e o médico Água das Pedras. Pronto. Já escalei meu time para receber os amigos cá em casa, na minha 18° estreia de Copa do Mundo, sábado 11 da noite de Lisboa.

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