José Guilherme Vereza

Crônicas publicadas no projeto.

ABUTRES, BARATAS E ESPERANÇAS

Cá em Lisboa já escuto sinais e alaridos da minha 18° Copa do Mundo. E afloram as lembranças. Em 58, a ternura dos meus 5 anos permitiu que só a final entrasse para a minha memória. Foram 5 gols do Brasil, foram 5 vezes que meu pai e tios me jogavam para o alto, como se eu fosse uma bola.

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O DIA EM QUE ROLAND GARROS FOI GERAL DO MARACANÃ

Até parece que começou a Copa. E não foi de chuteira, vinte e dois em campo, juízes na berlinda, técnicos esbravejando na beira do campo. Tinha torcida barulhenta e extasiada. Não sei se o Brasil parou. Eu parei. Sou apologista do talento, da expertise divina, da arte sublime. Eu vi. Numa tarde de sexta feira, quando o mundo debate o

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O PEREBA ENTRA EM CAMPO.

Acho que sou veterano em Copa do Mundo. Não como o pereba que corre com os pés em dez para as duas, chuta com a canela e nunca acertou meia embaixadinha. Muito menos como goleiro peladeiro míope, que convidava gentil a bola às redes e desesperou amigos entregando o jogo, ora saindo mal do gol, ora devolvendo bolas nos pés

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A vitória das mulheres

Enquanto se chora pela eliminação precoce da Seleção Feminina no Mundial, pela despedida da Rainha Marta das Copas, pela atrapalhada exibição das meninas contra a Jamaica e pela inércia da treinadora Pia diante da necessidade de mexer no time, a crônica esportiva lacrimosa encobre uma imensa vitória das mulheres no campo do humanismo, da justiça e da ética na sociedade

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DEFESAS DE PLACA

Leio no Globo uma reportagem muito oportuna sobre a evolução das goleiras no futebol feminino e me vem ao coração uma compaixão com a posição definida por uma lendária constatação: “goleiro é tão desgraçado que onde ele pisa não nasce grama”. Tal axioma pode estar com o prazo de validade vencido, pois é do tempo em que os goleiros cavucavam

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ELIS, A KOMBI, O BULE E O FUTEBOL

No bule do comercial da Elis na Kombi, o café está requentado. A polêmica já deu o que tinha que dar. Houve de tudo. Esperneios, emoções fortes, louvação à IA como agente da criatividade, medo do descontrole da própria IA, vibrações positivas pelos novos caminhos da tecnologia, execrações públicas sobre a suposta falta de ética de se recriar pessoas, evocações

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NORMALIDADES

Ganhar ou perder é normal. Ficar triste é normal. Xingar o Tite, o Neymar, a CBF é normal. Se indignar com o bife de ouro é normal. Achar que o bife de ouro é direito de fazer o que quiser com o próprio dinheiro é normal. Como é normal considerar ostensivo o ato dourado e sangrento diante de uma sociedade

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MEUS DEUSES

Ontem chorei. Não pela exibição empolgante da Seleção Brasileira no primeiro tempo contra a Coréia do Sul. Não pela recuperação do Neymar ou pela alegria do primeiro gol do Vini Jr. numa Copa do Mundo. Não pela jogada do Richarlyson que precedeu mais uma pintura de gol, não pela dancinha do time inteiro, inclusive o Tite, a mais perfeita tradução

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EMBATES INTERIORES

De todas as dezessete Copas para quais fui convocado, talvez seja essa a que tenha mais cara de sensações antagônicas. A começar pela sede. O Catar, pelas circunstância que “convenceu” a FIFA e pelas violações dos direitos humanos explícita merecia tamanho holofote? Por outro lado, não é importante saber que existem – e como existem – mundos diferentes do nosso,

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PERMITO ME DIZER QUE TE AMO

Total respeito aos que não gostam de Copa do Mundo. Seja por protesto contra o Catar, a FIFA ou aos governos e aproveitadores. Seja por misturar futebol com política, seja por achar futebol chato mesmo. Mas por favor, não gastem eloquentes ou velados argumentos para me convencer do contrário, não me apontem o dedo rangendo entre dentes e olhares: “seu

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