Alexandre Brandão

Crônicas publicadas no projeto.

Vitória do baixo-astral

Posso estar enganado, deixei de ser deus tão logo nasci, mas não vejo a seleção contaminar a massa. Não assisto televisão, quando muito pesco alguma coisa que aparece em rede social, então pode ser que esteja mesmo desavisado. Se for isso, me perdoem. Em Copas anteriores, numa hora dessas — quatro semanas da estreia—, as ruas estariam pintadas, o mascote

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Crônica do torcedor louco

Nossa desconfiança em relação ao craque do escrete brasileiro está relacionada à capacidade do atleta manter-se em pé. Cai, né? Cai, mar. Naquele meme famoso, o camisa 10 vai ao chão, começa a rolar e está rolando até hoje. Já passou por Araraquara, por Herat, por Kisangani, mergulhou no Nilo, aportou em Honolulu. Terminou? Coisa nenhuma. Agora mesmo, ainda rolando,

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Confissão

Nada de ser condescendente. Antes, durante e depois o que existe é um machismo escancarado. É verdade que a gente dá uns dribles – a palavra vem a calhar –, se esconde aqui e acolá, lava louça, procura ser cortês, busca respeitar as mulheres, mas, quando o assunto é futebol, lá se vai a nossa máscara – outra boa palavra

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Aquele dia com Pelé

Vi Pelé uma única vez em campo. Eu, quatro meses antes de completar meus 10 aninhos, estava no Maracanã em sua despedida da seleção, no dia 18/7/71, em jogo contra a Iugoslávia (2 a 2), país que pertencia à “Cortina de Ferro” e que, com o fim da União Soviética, foi desmembrado, criando, entre outros, a Croácia, nosso calo no

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Por que perdemos?

Porque a bola não é quadrada. Porque a Croácia se tornou um país independente. Porque faltou alguém ali naquele canto. Porque chutaram um gato. Porque o título não poderia chegar ainda sob o atual governo. Porque quem come ouro arrota capim. Porque deu-se um drible a mais. Porque a Croácia jogou com um goleiro. Porque as chuteiras foram feitas na

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Ainda a dança

Na crônica anterior disse que esse senão que estrangeiros – europeus, sejamos sinceros – fazem à comemoração dançante me dava gastura, e dá mesmo. Com todos os problemas existentes em nosso país, o samba, a dança, o drible são, e sempre foram, formas de resistência e não à toa nascem ou ganham força entre os negros. Assim, um garoto ou

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Filé de ouro e outra bola na trave

No Rio de Janeiro, existe um restaurante chamado Filé de Ouro. Sempre imaginei que o nome indicasse produtos de alta qualidade, carnes saborosíssimas e de boa procedência, mas aprendo que existem filés ornamentados de ouro — não posso afirmar se o restaurante carioca prepara a iguaria, pois nunca estive lá. De fato, o ouro, passado sobre a carne como uma

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Torcedor comprometido

Torço pelo Brasil, com ou sem Neymar, bom de pé, ruim de cachola. Mas a Copa não são apenas os jogos do escrete canarinho, são 64 entre 32 seleções. Não é possível ser isento nessa profusão de disputas. Normalmente, estou com os mais fracos. Jogam Catar e Holanda, torço para o anfitrião. Isso obviamente me traz alguns inconvenientes, como o

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Esporte ou arte

Como entender vinte e duas pessoas correndo atrás de uma bola, numa competição que pode acabar empatada, às vezes sem gol? Que maldita regra é o impedimento, que pune o artilheiro quando a situação é mais propícia ao seu sucesso? Por que só um jogador de cada time pode botar as mãos na bola, já que, se isso fosse um

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As palavras em torno do esporte bretão

A bola vem voando e cai no peito do jogador. O narrador descreve que fulano matou a bola no peito. Tamanha sandice. Houvesse matado, o jogo seria interrompido. Lá nas peladas da minha rua, ele teria acabado, pois não tínhamos uma segunda para substituir a primeira em caso de morte ou, o que de fato ocorria, furo. Ah, meus amigos,

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