Alexandre Brandão

Crônicas publicadas no projeto.

Cafifa

Não sou um estudioso no assunto e, no caso, fiz apenas uma consulta rápida na grande rede. Nela encontrei que a palavra “cafifa” estaria ligada ao sarampo e sua origem é o quimbundo — o responsável por essa “definição” seria Beaurepaire Rohan, autor de um dicionário de língua portuguesa em 1885, segundo Jean Lauand (em “Analisando expressões brasileiras (verbetes em

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Pontas

Minhas atuais preocupações relacionam-se com assuntos tão inalcançáveis que até deixo de me preocupar um pouco. Primeiro: o jeito que o mundo vai. Melhor dizendo, não vai. Enquanto a catástrofe ambiental derruba portas e paredes, sopra furacões, inunda cidades e seca regiões antes responsáveis por regar aquelas distantes e menos afortunadas em água, governos, empresários e não sei mais quem

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Hexacampeão

Agora que nos tornamos hexacampeões, já podemos pensar em outras coisas. O quê? Ainda nem começou o campeonato? E aquele 6 a 2 no poderoso selecionado do Panamá? Um treino? Chame o VAR, algo está errado, estão tentando nos roubar a taça. Isso deve fazer parte desses tarifaços que o senhor Laranja, no comando da nação em vias de desmoronar,

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Vitória do baixo-astral

Posso estar enganado, deixei de ser deus tão logo nasci, mas não vejo a seleção contaminar a massa. Não assisto televisão, quando muito pesco alguma coisa que aparece em rede social, então pode ser que esteja mesmo desavisado. Se for isso, me perdoem. Em Copas anteriores, numa hora dessas — quatro semanas da estreia—, as ruas estariam pintadas, o mascote

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Crônica do torcedor louco

Nossa desconfiança em relação ao craque do escrete brasileiro está relacionada à capacidade do atleta manter-se em pé. Cai, né? Cai, mar. Naquele meme famoso, o camisa 10 vai ao chão, começa a rolar e está rolando até hoje. Já passou por Araraquara, por Herat, por Kisangani, mergulhou no Nilo, aportou em Honolulu. Terminou? Coisa nenhuma. Agora mesmo, ainda rolando,

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Confissão

Nada de ser condescendente. Antes, durante e depois o que existe é um machismo escancarado. É verdade que a gente dá uns dribles – a palavra vem a calhar –, se esconde aqui e acolá, lava louça, procura ser cortês, busca respeitar as mulheres, mas, quando o assunto é futebol, lá se vai a nossa máscara – outra boa palavra

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Aquele dia com Pelé

Vi Pelé uma única vez em campo. Eu, quatro meses antes de completar meus 10 aninhos, estava no Maracanã em sua despedida da seleção, no dia 18/7/71, em jogo contra a Iugoslávia (2 a 2), país que pertencia à “Cortina de Ferro” e que, com o fim da União Soviética, foi desmembrado, criando, entre outros, a Croácia, nosso calo no

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Por que perdemos?

Porque a bola não é quadrada. Porque a Croácia se tornou um país independente. Porque faltou alguém ali naquele canto. Porque chutaram um gato. Porque o título não poderia chegar ainda sob o atual governo. Porque quem come ouro arrota capim. Porque deu-se um drible a mais. Porque a Croácia jogou com um goleiro. Porque as chuteiras foram feitas na

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Ainda a dança

Na crônica anterior disse que esse senão que estrangeiros – europeus, sejamos sinceros – fazem à comemoração dançante me dava gastura, e dá mesmo. Com todos os problemas existentes em nosso país, o samba, a dança, o drible são, e sempre foram, formas de resistência e não à toa nascem ou ganham força entre os negros. Assim, um garoto ou

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Filé de ouro e outra bola na trave

No Rio de Janeiro, existe um restaurante chamado Filé de Ouro. Sempre imaginei que o nome indicasse produtos de alta qualidade, carnes saborosíssimas e de boa procedência, mas aprendo que existem filés ornamentados de ouro — não posso afirmar se o restaurante carioca prepara a iguaria, pois nunca estive lá. De fato, o ouro, passado sobre a carne como uma

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