Crônica do torcedor louco

Nossa desconfiança em relação ao craque do escrete brasileiro está relacionada à capacidade do atleta manter-se em pé. Cai, né? Cai, mar. Naquele meme famoso, o camisa 10 vai ao chão, começa a rolar e está rolando até hoje. Já passou por Araraquara, por Herat, por Kisangani, mergulhou no Nilo, aportou em Honolulu. Terminou? Coisa nenhuma. Agora mesmo, ainda rolando, roçou meus pés.
Como o brasileiro é mezzo desconfiado, mezzo esperançoso, às vésperas da Copa nos agarramos à esperança. O ex-rapaz vai arribar, pegar a bola, driblar gringos e iranianos, meter gol até o sol perder o calor de satisfação. E seremos mais uma vez os maiorais. E transformaremos o goleador em herói.
Herói sem nenhum caráter, um Macunaíma sem passado de glória, nascido com o pé na lama. Não nos iludamos, o moço é caso perdido e, me desculpem a rima, nasceu impedido.
Verdade, verdade mesmo, é que ninguém ganha um jogo sozinho (embora às vezes o perca). Ó Deus de Belém do Pará, lustrai as demais chuteiras e dai boa mira aos chutes dos zagueiros, do goleiro, enfim, de todos aqueles de quem não se espera um golzinho que seja. Amém!
A que ponto chegamos eu e meu pessimismo! Nem pareço um botafoguense acostumado a desastres de toda a sorte. Nem pareço o que confessa sua culpa e seu pecado: um Torquato, um marginal, um brasileiro. Se a seleção ganha, o Brasil ganha? Ah, meu filho, o meio de campo está travado é lá no Estreito de Ormuz, onde botinudos dão balõezinhos em mísseis impiedosos e portáteis. Alô, puliça, eu tô usando um Exocet (Calcinha!).
Chega de gracinha, vou falar de futebol. A tática é simples: botem a bola nos pés do Danilo, ele dribla um, dribla dois e, ao ver livre o moço ainda em pé, em vez de dar a bola pra ele, o dribla também e lança o Luiz Henrique. É gol do Botafogo. Avançaremos na Sul Americana!

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