Carlos Castelo

Crônicas publicadas no projeto.

Uma Copa infantina

Foi a Copa que mais faturou e a mais desorganizada de todos os tempos. Um feito digno da era em que eficiência é opcional, mas o caixa jamais pode sair perdendo. Descobriram, enfim, que o futebol não precisa funcionar: basta monetizar. Os estádios brilhavam como vitrines de shopping. Os patrocinadores sorriam em alta definição. As plataformas digitais despejavam estatísticas em

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Lionel messiânico

Lionel Messi virou uma dessas unanimidades que dispensam argumento. Basta pronunciar seu nome e surge um coro de reverência, como se discordar fosse delito esportivo. O problema das unanimidades é que elas aposentam o senso crítico. Messi sempre foi um gênio com a bola. Mas o culto ao personagem acabou maior que o jogador. Em torno dele construiu-se uma redoma

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Pirate’s parrot

Trump tem um talento: fareja um holofote como um tubarão percebe sangue. Bastou a Espanha erguer a Copa do Mundo para que ele decidisse improvisar o papel de papagaio de pirata no registro histórico. A imagem era dos campeões. Mas, na cabeça dele, toda foto oficial é apenas um retrato esperando por sua desagradável pessoa. Na fila das condecorações, o

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China

Muitos supõem que a Copa do Mundo é uma assembleia da humanidade. Tolice. Ela é, antes de tudo, um desfile de nações interessadas e organizadas para trocar pontapés regulamentares. A curiosa ausência da China, portanto, não é um mistério, mas uma opção política. Quando governos se convencem de que a História lhes reservou um papel mais nobre do que correr

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Terno não ganha Copa

Sou contra técnico da seleção brasileira usar terno. Não é uma posição estética. É estatística. Olhemos o retrospecto. Sempre que um mister brasileiro resolveu parecer executivo de multinacional na beira do campo, a taça fez reunião em outro endereço. O futebol tem dessas superstições que os números não explicam, mas insistem em confirmar. Tite desfilou uma elegância impecável em duas

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Chega de Copa!

O café sai escalado, a torrada recebe cartão amarelo por excesso de crocância, e o vizinho comenta impedimento enquanto rega os cactos. Ninguém conversa sobre chuva, livros ou política; tudo termina em estatísticas recitadas com solenidade sacerdotal. O controle remoto virou cetro, os narradores ocupam mais espaço mental que a família, e qualquer silêncio recebe replay. Até o cachorro late

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Seleção de frases sobre a Copa

24. Trump e Infantino estudam adoção de pausa para deportação a partir dos jogos da semifinal. 23. Meu streaming está com tanto delay que a TV agora passa um jogo da Copa de 1958. 22. Desde que estreou em Copas do Mundo, a Argentina mantém o mesmo técnico: o Ego. 21. Não existe mais Copa do Mundo. O que temos

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O cavalheiro e o pântano

Ancelotti é um cavalheiro. Elegante, educadíssimo, paciente. Um homem capaz de perder para a Noruega e ainda cumprimentar Haaland como quem agradece ao garçom pelo café. Mas, neste dia em que o Brasil saiu da Copa pela porta lateral, Carlo foi menos técnico da Seleção do que zelador de um condomínio em chamas. A Noruega, um país que o brasileiro

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Tubarõis Azuis, nha irmons

Há um mar entre nós e Cabo Verde, mas é um mar mentiroso: por baixo dele corre o mesmo sangue, a mesma cana, a mesma dor antiga que virou dança. Quando os holofotes do Mundial de 2026 acenderam sobre aquele arquipélago de meio milhão de almas, alguma coisa em mim se ajoelhou. Não era só futebol. Era história cobrando o

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Streaming premium

— Goooool! — Quê gol, Licurgo? — Do Brasil, ué. — Para, vai. Aqui, a seleção ainda tá cantando o hino. — Não pode ser: o jogo já tá nos acréscimos… — Para de dar trote, vai. — É sério: gol do Martinelli. — Licurgo, aqui o Martinelli nem encostou na bola. — Encostou sim, é que ainda não chegou

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