Pirate’s parrot

Trump tem um talento: fareja um holofote como um tubarão percebe sangue. Bastou a Espanha erguer a Copa do Mundo para que ele decidisse improvisar o papel de papagaio de pirata no registro histórico. A imagem era dos campeões. Mas, na cabeça dele, toda foto oficial é apenas um retrato esperando por sua desagradável pessoa.

Na fila das condecorações, o clima parecia digno de uma reunião de condomínio. Os jogadores cumprimentavam Trump com a mesma animação de quem assina um aviso do oficial de Justiça. Olhares que sugeriam um pensamento: “Vamos acabar logo com isso pra comemorar o que realmente importa”.

Nos finalmente, a Espanha conquistou o mundo. Trump tentou pegar carona. Pois há quem colecione títulos. E os que só conseguem colecionar aparições. A diferença é que os primeiros entram para a História; e os outros precisam pedir licença até na foto dos vencedores.

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