Emoções eu vivi: durante os 104 jogos

Fim dos jogos. Fim da Copa. E essa em especial deixou sentimentos confusos e afetos ainda a serem digeridos, listo alguns provocados em mim ao longo desses 104 jogos. Devo ter visto mais de 100.

Raiva: O começo da Copa era de raiva, um desejo de boicotar a FIFA e os Estados Unidos, por suas recentes e históricas atrocidades. Absurdo completo essa Copa ser nos EUA no momento em que eles estão encharcados com sangue de guerras, provocadas por eles mesmos. E eles se esforçaram na destruição do futebol, mudando regras, dividindo o jogo em 4 tempos, colocando Djs nos estádios e aumentando o número de seleções. Esperava por jogos terríveis com essa quantidade de países e essa desorganização.

Beleza: Mesmo com esses caminhos da FIFA e dos EUA, quando o melão rolou, histórias bonitas surgiram, como Cabo Verde e Curaçao em suas primeiras Copas, a emoção dos atletas e dessas populações, o futebol beleza pura da França, com um time que já está entre os melhores times que eu vi jogar desde 2002 em Copas, não me lembro de um ataque tão avassalador como Mbapé, Olise e Dembélé. A beleza dos estádios do México e de sua torcida envolvente. E teve o Messi aos 38 anos desfilando nos gramados, desafiando o tempo, se recusando a parar de fazer coisas bonitas em campo. Fez a melhor Copa de sua vida.

Coragem: Cada jogo contou uma narrativa épica, foi a Copa das lutas, batalhas travadas em campo e de muita energia dos atletas, jogos em sua maioria muito equilibrados e com fortes emoções. Seleções valentes como Cabo Verde, Argentina, Inglaterra, Congo, superando seus limites em cada partida e dando gosto de ver a entrega nos gramados.

Frustração: O técnico italiano mais bem pago da Copa, com a seleção brasileira fazendo um papelão, capitaneada por um ídolo de papelão e outros jogadores garotos propaganda de bets. Faltou entrega, faltou vontade, faltou tudo. E nossos hermanos uruguaios? Sobrou confusão e faltou futebol, faltou garra, faltou inconformidade, sobrou o caos e ficou em cacos.

Melancolia: A disputa de terceiro e quarto lugar foi de uma melancolia, uma coisa sem sentido nenhum, uma tristeza, com muitos gols, um jogo sem espírito de futebol, compreensível, os jogadores não deveriam estar animados depois de uma dolorosa eliminação e uma impossibilidade de jogar uma final, enfrentando mais um jogo que não poderia dar alegrias para eles. Esse jogo poderia ter sido um e-mail.

Chatice: O futebol Espanhol é muito legal em seu projeto, sua ideologia, com alguns jogadores fascinantes como Yamal e Cucurella, porém, é muito chato assistir uma posse de bola sem sentido, sem agressividade, sem criatividade, só toque e toque, como um Barcelona sem o Messi, sem o Etoo, sem um Ronaldinho, sem um molho latino ou africano. Nem o Yamal consegue performar como no Barcelona, eles não têm nem um mísero Raphinha (pelo menos atrapalha) nas pontas. Chato. Campeões.

Confusão: Uma tese de que os argentinos eram os mais racistas da história das Copas (não estou dizendo que não exista racismo por lá – e que deve ser combatido com seriedade) e uma torcida feroz para qualquer outro país contra eles, ignorando o contexto histórico-politico e social levado em conta contra os Hermanos. Se fosse só pela galvãobuenização ainda vá lá, mas essa onda de hate achei estranhíssima e desproporcional. Teve gente que torceu até pros Vikings e pra países colonizadores – cada um torce pra quem quiser ou pra ninguém, o que é mais divertido em uma Copa.

Foi uma Copa cheia de enganos, construções e conspirações, tiveram opiniões sobre tudo e sobrou pautas, temas e leituras. O futebol é mesmo uma caixinha de surpresas e proporciona diversão, entretenimento, formação política e tática, mais uma Copa vivida com muita emoção.

Ano que vem tem mais.

Copa do mundo feminina no Brasil.

E sem um técnico italiano e um ex-jogador bolsonarista.

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