Sou contra técnico da seleção brasileira usar terno. Não é uma posição estética. É estatística.
Olhemos o retrospecto. Sempre que um mister brasileiro resolveu parecer executivo de multinacional na beira do campo, a taça fez reunião em outro endereço. O futebol tem dessas superstições que os números não explicam, mas insistem em confirmar.
Tite desfilou uma elegância impecável em duas Copas. O terno caiu muito bem. A seleção idem. Felipão voltou em 2014 vestido como um chefe de Estado pronto para uma cúpula internacional. Acabou presidindo a mais traumática partida da história recente do futebol brasileiro. Dunga também flertou com o figurino social e foi para casa antes do previsto. Luxemburgo, e seus costumes escuros, nem chegou a estrear em Copa.
Enquanto isso, o Felipão de 2002 parecia pronto para conferir o gramado de um centro de treinamento, e não a passarela de Milão. Agasalhão, simplicidade, pentacampeonato.
Coincidência? Não sei. Mas o torcedor brasileiro é uma criatura que prefere uma crendice que funciona a uma lógica que fracassa.
Por mim, a CBF deveria proibir paletó em Copa do Mundo. O uniforme oficial do treinador teria de incluir moletom, tênis confortável e pronto.
Porque, se aparecer de terno italiano, já sabemos quem vai acabar vestido de luto. É evidente: há roupas que combinam melhor com cerimônias de premiação. E outras, infelizmente, com cerimônias de eliminação.