QUE CAMINHO SEGUIR, BRASIL?

O Brasil chega a sua sexta Copa do mundo sem título, o maior jejum desde a criação da Copa do Mundo, em 1930. Impossível deixar de considerar a importância de uma Copa do Mundo, que deve ter sido inspirada nas Olimpiadas. Na distância que nos separa da época – 96 anos! – merece 15 minutos de palmas os dirigentes que tiveram a ideia de promover um torneio que seria, além da disputa esportiva, uma oportunidade para os povos do mundo inteiro celebrarem, se confraternizarem. Imaginem a disputa da Primeira Copa! Tinha 13 países e os europeus participantes devem ter demorado semanas e semanas de navio, o único meio de transporte de longa distância existente na época. Tudo que segue são histórias que alguém deve ter registrado em livros bem editados, pois, justiça de faça, a realização da Copa é uma jornada épica, tão grandiosa quanto foi a viagem de navio, no distante 1930.
Tem as mazelas, as manipulações. Não sejamos indiferentes às manipulações, que alcançaram seu ápice nesta Copa de 2026. Não sejamos indiferentres, porque ultrapassaram todos os limites de decência não só desportiva, mas Humana. Uma vergonha, um pouco caso. Poucas vezes os dirigentes do mundo agiram de forma tão vil como desta feita. Mas isto também é história e merece livros bem escritos e bem editados! Gente competente tem para isso, embora o jornalismo esportivo tenha perdido sua aura faz tempo.
O ponto fulcral neste momento é: e o Brasil? O que fazer depois para sair do mais longo jejum de sua história? Nosso país, antes dos anos mágicos entre 1958 e 1970, amargou por muito tempo ocupar a prateleira dos perdedores, mas ao menos tinha um consolo: não vencia torneios, mas jogava bonito. Grandes craques fizeram história – Leonidas da Silva, Jair da Rosa Pinto, Friedereich, Bauer, Ademir de Menezes, Canhoteiro, Pagão, entre tantos. Fizemos papel decente na segunda Copa (1934) e fomos vice campeões em 1950.
Desta vez a situação é outra, é vexatória. Em jogos decisivos, perdemos para equipes/países da prateleira de baixo do futebol. Fala sério! Não deveria ser normal aceitar perder para esses “” da Noruega! O craque deles, o Halland, limparia chuteiras para o nosso Serginho Chulapa! Vou mais longe: o Geraldão, antigo centroavante do Corinthians foi melhor que o Halland. Cesar Maluco, então, seria gênio! Mas não só isso! Perdemos para a Bélgica e não foi numa disputa de criação de personagem de romance policial, pois o detetive Hercule Poirot nasceu na Bélgica e é imbatível. Perdemos para os croatas, mas eles pelo menos não são pernaduras, tratam a bola como se fosse o objeto esférico que sempre foi, desde a época do capotão. Desse jeito, onde o Brasil vai parar?
Que caminho seguir, Brasil? Queria eu saber! A impressão que ora tenho, é que a globalização não fez bem ao futebol brasileiro. Somos como o indígena que não sabe se fica na aldeia ou se segue para a cidade grande. Seguir o caminho dos ancestrais ou adotar a cultura do homem branco? Embora a escolha pareça difícil, não é! Mas ele acaba não sendo nem uma coisa nem outra.
O problema não é que a globalização é o demônio. O problema é que não tem volta, seja demônio ou santo. Os mercados ricos cada vez mais levam jovens precoces, pois é lucrativo. De cada 20 possíveis craques, digamos que UM se torne profissional. Vai custar milhões de euros e já pagou o investimento dos outros 19! O menino passa a viver outro mundo, outra realidade, cada vez mais se afastando de seu povo, de sua pátria, de sua língua, de seu meio. E não podemos culpá-los por isso. O Brasil precisa formar jogadores para jogar aqui e não no exterior.
Do jeito que está atualmente, não acho fora de propósito o Brasil ser apenas ponta de lança dos mercados ricos. Que a seleção brasileira seja formada exclusivamente por jogadores que jogam na Europa, com técnico europeu, que os períodos de treinamento sejam todos na Europa, nem precisa viajar pra cá. Seriam cidadãos brasileiros. Ponto. Nem precisariam falar português, muito menos saber cantar o hino nacional.

Tenho pra mim que isso já está acontecendo, mas é negado oficialmente…

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