A Copa das copas: pílulas reflexivas

Confesso que perdi o timing para escrever várias crônicas que poderiam ter sido interessantes sobre a atual Copa do Mundo. Desculpas, tenho muitas, mas não vou aborrecê-los com isso. Digamos apenas que eu me perdi na bruma do cotidiano. Por conta do trabalho, deixei de assistir diversos jogos que eu gostaria muito de ter visto, Argentina e Cabo Verde, por exemplo. Dito isso, a Copa, com ou sem as minhas modestas crônicas continua sendo muito boa, com ressalvas. Vamos então, sumarizar em tópicos pontuais:
– Brasil: Decepção esperada, devido ao conjunto da obra. Numa engrenagem gigantesca de poder e ego, os jogadores, a carne moída que resulta de tudo isso, talvez sejam os menos culpados. Meninos simples, alguns com visíveis problemas cognitivos, com uma habilidade acima da média para jogar futebol (por mais que os critiquemos, são diferenciados sim, como atletas de alto rendimento, e se não temos opções melhores, a culpa certamente não é daqueles que calharam estar lá); fizeram o possível dentro de seu limitado escopo intelectual. Claro que não poderiam comprometer os lucrativos contratos com seus respectivos clubes, as publicidades, as redes sociais e tudo o mais. Era o que dava para fazer. Não entendem, talvez, o significado do futebol para os brasileiros que, vivendo de memórias de copas passadas, vão perdendo o gosto pelo esporte. Triste, mas fomos até o limite do que era possível, perdendo para um time mais organizado, mais objetivo e com uma arma nada secreta, um artilheiro letal, Haaland.
– Arbitragem duvidosa: Vi uma explicação de um expert, numa dessas redes sociais que atribui o favorecimento dos árbitros aos times considerados favoritos, por uma questão de lógica: se as casas de apostas precisarem pagar pelas “zebras”, provavelmente quebrariam. Faz sentido e, mesmo sem provas, parece factível. O expert entrava em detalhes de proporcionalidades, percentagens, valores e etc, e eu não vou aborrecê-los com tamanha tecnicalidade, mas parece fazer sentido sim. Lamento a anulação do gol do Egito contra a Argentina, por exemplo, que mudaria totalmente o panorama da Copa. Vida que segue. E temos também o patético apelo do presidente americano para que o cartão vermelho do jogador Balogun fosse anulado, o que foi feito. Vergonha, dona FIFA!
Argentina/Messi: Sem rasuras. Messi é gigante e leva um time mediano a conquistas épicas, como, aliás, já fez em 2022. Sua mera presença desperta um frenesi de temor entre os times adversários e com razão: o cara é mágico. Nunca consegui torcer pela Argentina estes anos todos, mas é, paradoxalmente, impossível torcer contra o Messi! Sua genialidade é inconteste e é um privilégio vê-lo em ação! A garra do restante do time também me causa inveja, e eu gostaria de ver o time do Brasil jogando com tamanho afinco.
Surpresas positivas: Cabo Verde, Marrocos, Egito, Estados Unidos, México. Todos eles são times valentes e que por circunstâncias do torneio acabaram sucumbindo diante de adversários mais poderosos. Mas mostraram valor e coragem. Senegal, Paraguai, Costa do Marfim, Colômbia também fizeram bonito. Feio fez nosso vizinho do Sul, Uruguai, que com sua típica catimba não impressionou ninguém e caiu na fase eliminatória. Portugal também deixou um gosto de decepção na boca e, para quem era um dos favoritos, ficou devendo e muito.
De qualquer forma, a Copa ainda não terminou e amanhã, no sábado, teremos dois grandes duelos entre Argentina e Suíça e Inglaterra e Noruega, nosso algoz. Hoje a tarde teremos Espanha e Bélgica, sendo a Espanha favorita clara. Também acho que a Argentina despacha a Suíça com facilidade, espero estar enganado. De qualquer maneira, tivemos uma grande Copa, apesar da politicagem envolvida. E ponto também, para a Cazé TV, que apesar de contar com locutores chatos e repetitivos, deu um nó tático e logístico na Globo assegurando a si a transmissão de todos os 104 jogos do torneio. Se foi armação ou não, não sei (dizem que a Globo é uma das principais acionistas da Cazé TV, e percebendo o desgaste do formato tradicional migrou para as redes digitais dessa maneira). De qualquer forma, foi um feito e tanto, mobilizando milhões de espectadores pelos streamings parceiros e pelo Youtube. Volto logo!

Compartilhar:

Curta nossa página no Facebook e acompanhe as crônicas mais recentes.