Conheço compatriotas que, após a eliminação da Seleção, rasgaram bandeirinhas e tabelas, e bradaram aos quatro cantos seus desencantos, dizendo: a Copa acabou pra mim…
Isso me lembra um caso ocorrido com um amigo, ex-cunhado sim, mas nunca ex-amigo, que, eufórico ao chegar à praia de Ubatuba, no primeiro mergulho a onda lhe arrebatou a dentadura. Desconsolado, disse aos companheiros, tampando a boca em concha: a praia agora acabou pra mim… Porém, alguns momentos depois, ao ver passar uma bela moça de biquíni, murmurou, tampando a boca em conha: ô gostoooosa!
Pois é, é possível ainda saborear o que resta da Copa. Por exemplo, ver os Estados Unidos saindo, após a bela goleada belga de 4×1. Depois que o Trump interferiu para anular a suspensão do Balogun (seria por que ele tem um revólver no final do nome?), os belgas se animaram e balearam os anfitriões. Aliás, todos os três anfitriões só não vão para casa porque já estão em casa. Isso me lembra uma comédia do velho Camões chamada justamente “Os anfitriões”, baseada na história da mitologia grega sobre o nascimento de Hércules. No Brasil, temos uma divertida comédia de Guilherme Figueiredo chamada “Um deus dormiu lá em casa”, recontando com humor esse mito em que Júpiter usou a forma de Anfitrion para dormir com a esposa do general, a linda Alcmena, que depois deu à luz o herói Hércules. Se Camões e Guilherme fizeram comédia com os anfitriões, a Copa proporciona uma dramática saída de USA, México e Canadá.
Porém é boato afirmar que Trump vai dar um jeito de fazer uma repescagem com os eliminados das oitavas e tentar recuperar a equipe norte-americana.
Também é boato afirmar que Ancelotti terá seu contrato com a CBF cancelado, e passará a ser chamado de Cancelotti.
Também é boato afirmar que o Ceará Sporting Club, conhecido como Vozão, está contratando o bravo Vozinha, de Cabo Verde.
Também é boato que Neymar, pelas recentes experiências, será contratado, sem concurso, para trabalhar no Banco do Brasil.
O jeito é pôr a mão em concha, tampar a boca, e dizer a respeito da Copa: ô gostooosa.
Falar nisso, onde foi parar a paraguaia Raissa Riquelme? Meu celular nunca mais tocou…
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Caio Junqueira Maciel
Caio Junqueira Maciel nasceu em Cruzília, MG. É mestre em Literatura Brasileira pela UFMG. Autor de vários livros de poemas, entre eles, Pele de Jabuticaba, Os sete sábios da Grécia & outros poemas safados e Igrejinha do Rosário (Urutau & Hecatombe). Contista de Cartões de crédito para gastar no inferno (Urutau Hecatombe), Micros-Beagá (Pangeia). Romancista de Um estranho no Minho (editora Viseu). Ensaísta de A escritura do tempo na poesia de Dantas Mota (Appris), O sangue que rejuvenesce o conde Drácula (Caravana). Participou de várias antologias de poemas e contos, entre as quais Jovens contos eróticos (editora brasiliense); Entrelinhas, Entremontes: versos contemporâneos mineiros (Editora Quixote)Todos os Saramagos (Páginas editora) Letrista musical, tem parceria com Zebeto Corrêa nos CDs Trilhas da Literatura Brasileira, Recados de Minas e Era uma voz: sonetos só pra netos. Em 2022 publicou o livro de crônicas Dia das mãos (editora Urutau) e lançará brevemente, para a coleção BH: a cidade de cada um, o livro Floresta(ed. Conceito).
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