Não sou um estudioso no assunto e, no caso, fiz apenas uma consulta rápida na grande rede. Nela encontrei que a palavra “cafifa” estaria ligada ao sarampo e sua origem é o quimbundo — o responsável por essa “definição” seria Beaurepaire Rohan, autor de um dicionário de língua portuguesa em 1885, segundo Jean Lauand (em “Analisando expressões brasileiras (verbetes em D-F)”). Já ficamos muitas vezes encafifados, que de sarampo chegou a encucado, o que faz sentido.
Deixando minha erudição precária, temerosa e circunstancial de lado, é a Fifa que vem à cabeça quando penso em cafifa ou encafifar. Ou seja, uma palavra angolana me faz pensar em uma entidade europeia que manda e desmanda no futebol. Já fomos dirigentes máximos dela e não guardamos boas memórias.
Pessoal da bola do meu Brasil varonil, no que a Fifa se transformou? Há muito tempo, li matérias sobre o estrago que as Copas deixam nos países sedes. Corrupção, construção de elefantes brancos cujos custos se perpetuariam — nossos estádios em Manaus, Brasília não são isso? —, intromissão política são pedregulhos que se encontram nessa estrada.
Agora, nas terras do Laranjão, a coisa mudou de figura. O dirigente máximo da Fifa, o ítalo-suíço Gianni Infantino, lambe as botas do déspota a caminho. Acompanhamos horrorizados tudo que tem acontecido, em particular as restrições ao selecionado iraniano, mas também a recusa em aceitar um árbitro de procedência somali, Omar Abdulkadir Artan, que seria o primeiro representante da Somália a apitar um jogo da Copa. A congregação mundial, um dos grandes objetivos de um encontro desses, foi por água abaixo, mas o Infantino, que de infante não tem nada, não está nem aí. Na mesa, os zilhões em jogo.
Portanto, em tom de trocadilho, aconselho: se você não está encafifado ca’Fifa, encafifa, encafifa.