FUTEBOL E DINHEIRO

Antes de tudo penitencio-me: antes de sair reclamando, deveria ter buscado informações sobre o novo modelo de transmissão imposto pela FIFA na Maior Copa de Todos os Tempos. Se não estou enganado, nas copas anteriores, todos os jogos eram transmitidos – com exceção daqueles que ocorriam mesmo horário. Era um show, uma overdose de Copa que até dava sono!
Desta feita, ouvia falar de partidas sendo jogadas, corria, ligava a TV e nada de jogo. Como eram partidas sem grande interesse, deixei pra lá. Mas desta vez foi demais, mereceu uma pausa para tentar entender o que rolava. Era simplesmente a estréia da Argentina, nosso maior rival e campeã da última Copa, o time do Messi, o atual Rei do Futebol. Até treino com a participação dele merece atenção mundial. E ligo a TV, nada do jogo da Argentina e Argélia. Teria me enganado, o jogo foi antes do horário que busquei? Ou será mais tarde? Consulto o noticiário da Internet e vejo lá: o jogo está sendo disputado, mas nada de TV aberta ou a cabo. Depois fiquei sabendo que a Argentina não quis dar sopa pro azar e se alguém esperava um “Batalha de Argel” se frustrou: arrematou 3 X 0, três gols do Messi.
Quem poderia explicar o que está acontecendo com as transmissões da Maior Copa? Espero a estréia de Portugal e seu ícone, Cristiano Ronaldo, o ex Pelé português, trono vago no momento! Ligo a TV e só vejo comentaristas enchendo linguiça, repisando assuntos batidos, tônica em todos os noticiários, invadindo até a política: porque Ancelotti não coloca o Endrick? Porque Ancelotti colocou o Igor Thiago? Porque Ancelloti convocou o Neymar? Porque o Alisson não apara a barba? Porque preenchem as horas com noticias bobas e não transmitem a partida? Essa pergunta ninguém faz nem explica. A Maior Copa exige, exige ao mesmo tempo maiores investimentos, mas esses os mesmos são pulverizados. São dezenas de patrocinadores, liderados pelas “bets” e os direitos de transmissão se em vez de aumentar a oferta, reduzem: dos 104 jogos, “apenas” 55 são transmitidos pela TV aberta e a cabo. Consequência: se quiser ver a estreia do favorito Portugal, devo aprender a toque de caixa como me habilitar a mexer no youtube e ver a CazéTV. Era uma vez o tempo em que para assistir um joguinho na TV, bastava girar o botão!
E o favoritismo português? Penso no que diria o enfático João Saldanha: “Pois é, meus amigos! Chegamos a tal ponto. Portugal é favorito e o Brasil, não!”
Mas nada disso deveria causar espanto. Ninguém organiza a Maior de Todas as Copas sem se arriscar a certas implausibilidades. Em nome da força da grana!

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