É inevitável: toda Copa do Mundo de futebol tem suas surpresas, suas zebras, seus “queridinhos instantâneos”, seus momentos de fofura, pessoas que pegam carona na fama de forma voluntária, ou não, nas mega transmissões (quem ainda se lembra dos atributos da bela paraguaia Larissa Riquelme e seu porta-celulares de algumas copas atrás?).
Estamos no meio da primeira rodada e é precoce fazer previsões e cravar favoritos. Mas temos alguns temas sobre os quais cabem rápidas reflexões, tipo crônica (pãozinho de padaria, bom no momento que sai do forno, amanhã já estará endurecido e será substituído pelo pão do dia – assim são as crônicas).
Vamos lá, o inevitável: Brasil. Sou um crítico severo da gestão nebulosa da entidade CBF. Nem quero enfiar a minha mão nessa cumbuca cheia de escorpiões e cobras venenosas, pois seria mordido com certeza. Mas uma entidade bilionária que não presta contas à sociedade, sequestra o amor e a paixão-mor dos brasileiros e pouco dá em retorno, já seria motivo de uma análise psico-social-econômica profunda. Mas não sou qualificado para isso.
A contratação de um badalado técnico estrangeiro para liderar o escrete nacional (que clichê fora de moda e inadequado- não há escrete – apenas um catadão de cidadãos com um modicum de talento com a bola nos pés, e um deslumbramento pelos holofotes que faz inveja a muitos “influencers” (praga do século, talvez), talvez seja a admissão, de que, nossos próprios técnicos estão defasados e, não são capazes de conduzir um time de futebol de maneira digna num torneio mundial. Eu discordo disso e acho que temos técnicos tão ou mais capazes que o maior consumidor de gomas de mascar dos hemisférios ambos. Mas eu discordar, ou concordar, não muda a direção dos ventos e a vida segue.
Contrato milionário, um belo currículo, uma presença esfíngica e o respeito dos nossos servis jogadores tupiniquins, com a nossa típica admiração pelos gringos, nos levam ao momento atual. Sim, isso é cultural: somos obcecados pelo estrangeiro, pelo que é “importado”, pelo que é de fora, como a admitirmos nossa própria inferioridade. Outro tratado sociológico com pitadas de antropologia, deixa para lá. Vamos ao que interessa, ou seja, ao time dentro de campo. Algumas escolhas do “mister” são tão misteriosas quanto a origem do apelido em inglês a um cidadão italiano. Casemiro, meu rei? Lucas Paquetá, que talvez entenda mais de bets do que de bola nos pés? A nova obsessão dos brasileiros por Endrick, que não entra nunca, repetindo um sebastianismo moderno ao lado de Neymar, o rei do marketing vazio? Ah, lá vou eu de novo, repetindo o maior talento dos brasileiros, ser palpiteiro, dar pitacadas a torto e a direito.
O fato é que o time não jogou nada e ficamos no um a um com o Marrocos e foi lucro! Tudo bem que o Marrocos é um time bem classificado no ranking da FIFA, e está bem cotado por aí. Mas, Marrocos meter medo em nós? Que mundo estranho este! Se empatarmos ou perdermos para o pobre Haiti (uma parte de mim iria gostar, a parte irônica, com certeza), podemos jogar a toalha e dizer adeus a ideia de termos um time.
O resto da primeira rodada? A beleza que foi assistir aos bravos cabo verdianos resistirem bravamente à “Fúria”. A fama instantânea e certamente fugaz do goleiro Vovozinha. Ver o Uruguai tomar sufoco da brava Arábia Saudita. O bom time dos Estados Unidos, que podem ir mais longe do que nunca nessa edição. Copa do Mundo é Copa do Mundo, como não se cansam de apregoar os locutores da Cazé TV, por si só, um dos maiores fenômenos dessa edição, pois um outrora simples canal de Youtube ser capaz de transmitir todos os 104 jogos da Copa e mobilizar tanta audiência, desafiando os gigantes do setor é um feito notável, tipo Cabo Verde ganhar o título! Volto depois…
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Cezar Fittipaldi
Escritor diletante, ourinhense de nascimento e coração, professor de escola pública, ex-empresário, eterno sobrevivente nesse país de desafios, encara a vida como uma gigantesca obra literária em tempo real. Seu esporte favorito é o automobilismo, gosta de basquete, atletismo, natação e o futebol já foi mais apreciado. Já assistiu a numerosas copas do mundo, todas pela televisão, e torce comedidamente pelo time do Brasil, sabendo separar ufanismo e nacionalismo de amor ao esporte.
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