Talvez muitos não se lembrem da música que dizia eu estava na peneira eu estava peneirando eu estava no namoro eu estava namorando. Mas a paródia é inevitável. Oitava na peneira oitava peneirando os vikings jogavam oitava esperando…
E o Brasil cai nas oitavas da final.
Putz, toda hora quem estava com a bola é a equipe vermelha. Eu bebia cerveja, a bola estava com eles. Ia ao banheiro, voltava: a bola estava com eles
O Brasil dava alguns ataques epilépticos e quase marcava, mas a bola voltava a ficar com eles. Eu berrava: Tá parecendo o Vasco, cadê o meio de campo?
Houve o penalty. Achava que o Vini ia bater. Mas não: o Bruno. Tudo bem, ele estava sendo o melhor jogador do Brasil. Mas bater penalty? Na hora que ele virou os zóios e deu uma paradinha, antecipei: perdeu. E fui pegar uma latinha. E a bola estava com os noruegueses. Falei pro meu filho no zapzap: uma hora vai levar.
Claro que levou. Um, dois, Podia ser mais. Quando tiraram o Rayan, tirei meu time de campo. Pô, Ancelotti.
O futebol não é uma caixinha de surpresas.
È um caixão, com sua presa.
Só lamento ter visto meu neto de quatro anos chorando após a vitória da Noruega. Quem sabe as gerações futuras tenham uma sorte melhor. Eu já acho que nunca mais verei o Brasil hexacampeão. Terei quase oitenta na próxima Copa. E se passar dos oitenta, o radar me pega.
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Caio Junqueira Maciel
Caio Junqueira Maciel nasceu em Cruzília, MG. É mestre em Literatura Brasileira pela UFMG. Autor de vários livros de poemas, entre eles, Pele de Jabuticaba, Os sete sábios da Grécia & outros poemas safados e Igrejinha do Rosário (Urutau & Hecatombe). Contista de Cartões de crédito para gastar no inferno (Urutau Hecatombe), Micros-Beagá (Pangeia). Romancista de Um estranho no Minho (editora Viseu). Ensaísta de A escritura do tempo na poesia de Dantas Mota (Appris), O sangue que rejuvenesce o conde Drácula (Caravana). Participou de várias antologias de poemas e contos, entre as quais Jovens contos eróticos (editora brasiliense); Entrelinhas, Entremontes: versos contemporâneos mineiros (Editora Quixote)Todos os Saramagos (Páginas editora) Letrista musical, tem parceria com Zebeto Corrêa nos CDs Trilhas da Literatura Brasileira, Recados de Minas e Era uma voz: sonetos só pra netos. Em 2022 publicou o livro de crônicas Dia das mãos (editora Urutau) e lançará brevemente, para a coleção BH: a cidade de cada um, o livro Floresta(ed. Conceito).
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