Rayan, o sempre sorridente jogador da seleção, não entendeu nada que o sério repórter japonês falou para ele em inglês, na entrevista coletiva: “Uma pergunta simples: quem você acha que é o jogador japonês mais perigoso e qual é o ponto forte e fraco do Japão? Obrigado”.
— Rapaz…
O tradutor ao lado assoprou no ouvido do entrevistado a tradução da pergunta do oriental sobre a seleção de seu país, o próximo adversário do Brasil na Copa. Nosso jovem atleta passou sua mão gigantesca no rosto para esconder o sorriso e a vergonha.
— Rapaz…
Rayan Vítor Simplício Rocha, 19 anos, carioca, a nova sensação do futebol brasileiro, ponta direita titular do Brasil, moço simples e brincalhão, é nascido e criado na comunidade nos arredores de São Januário, o estádio do Vasco. Filho de um ex-zagueiro do time, Walkmar, e de uma funcionária do clube, começou sua carreira lá mesmo, aos seis anos de idade.
— Rapaz… Te falar que eu não sei qual é o jogador mais perigoso dele, só olhando o vídeo mesmo…
(Risadas entre os jornalistas do mundo todo.)
Me lembrei na hora do nosso inesquecível Mané Garrincha, a “Alegria do Povo”, igualmente ponta direita, brincalhão e distraído, quando o Brasil foi campeão da Copa de 1962, no Chile, graças a ele. No fim do jogo, enquanto todo o Brasil comemorava, Garrincha estava quieto e perdido num canto do vestiário. Quando perguntaram o motivo, ele respondeu, sem ironia: “Mas já acabou? Não vai ter segundo turno?”.
Rayan sorriu novamente, passou o mãozão no rosto, e mandou a resposta-padrão dos jogadores de futebol experientes:
— … mas eu sei que é uma equipe muito qualificada, achei muito forte, vamos trabalhar toda semana para dar nosso melhor e sair com a vitória.
E sorriu novamente.
Vai, Brasil!