Copa do Mundo nos Estados Unidos

Um dos meus filhos (tenho quatro), fissurado por futebol, mora nos Estados Unidos faz uns cinco, seis anos. Não perde um jogo do Corinthians pela televisão nem os da Copa do Mundo de agora.
Engenheiro florestal, trabalha para uma empresa do Alabama. No dia do jogo do Brasil contra a Escócia, ele estava em trabalho de campo fazendo pesquisas para produtividade das florestas no país, assistindo palestras e tudo mais. A confraternização pós-atividades com os colegas foi em um Westervelt Lodge (pousada) frequentada por caçadores, onde eles pagam para ficar e caçar. Estavam lá profissionais de preservação de bosques e exterminadores de animais campestres. Um lugar decorado com cabeças de veados nas paredes.
O evento acabou tarde, meu filho ia perder o primeiro tempo do jogo. Os companheiros insistiram:
— Fica aí, fica aí, janta aí. Pode ligar a televisão à vontade. Parece que tem jogo hoje, né?
Os filhos e a mulher estavam numa balada de brasileiros em um outro local, torcendo pela nossa seleção. Como ia perder o jogo de todo jeito, ficou.
Sempre que tem evento da empresa para a qual trabalha, qualquer coisa que acontece, e vai ter refeição, fazem uma prece antes.
Ele lá, isolado de tanta gente desinteressada na televisão, assistindo ao futebol. De repente:
— Atenção! Atenção! – Gritou alguém.
Ele toma o maior susto. Tiram o som da tevê. Começa a oração:
— Jesus, agradecemos por esse alimento…
Nesses momentos, todos fecham os olhos, ficam cabisbaixos. Ele, cabeça levemente inclinada para o chão, de olhos abertos no jogo do Brasil. Os atletas de amarelo trocam passes, tum, tum, tum, cruzamento para a área…
— Amém! – Diz o pregador, terminando sua gratidão ao alimento.
… GOL DO BRASIL!
Meu filho, ao invés de gritar, como todos os brasileiros ao redor do planeta, aplaude entusiasmado o gol de cabeça do Vini Jr. no exato momento do final da reza. Os norte-americanos, não entendendo aquele aplauso entusiasmado do imigrante, gostam da ideia: aplausos gerais.
Vai, Brasil!

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