Melhor não

Neymar não foi abduzido no jogo entre Brasil e Escócia. A notícia, que não saiu em nenhum jornal sério (portanto merece atenção) prova uma coisa: os alienígenas são seletivos.

Durante anos imaginamos que eles viriam buscar nossos maiores talentos, nossos gênios, talvez um lateral-direito em extinção. Mas nada. Neymar estava ali, disponível, com dribles, histórico internacional e tornozelos já parcialmente extraterrestres. E eles não quiseram.

Talvez observassem de cima, num disco voador discreto, estacionado atrás de uma nuvem com placa de “imprensa”. Um alienígena teria perguntado:

— Aquele é o famoso?

— É.

— E por que cai tanto?

— Costume local.

A conclusão foi inevitável: a civilização intergaláctica, apesar de dominar a velocidade da luz, ainda não entende arbitragem, impedimento nem entrevista pós-jogo. Abduzir Neymar implicaria levá-lo também com patrocinadores, cabeleireiro, filhos, assessoria e dúzias de parças. Muito peso para a espaçonave.

Preferiram seguir viagem. Talvez tenham levado um gandula, menos midiático e mais útil.

Acabou sendo um alívio. Se Neymar sumisse, o Brasil discutiria se foi falta, se ele valorizou o contato ou se os ETs tinham VAR. Melhor não.

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