Não boicoto Copa do Mundo. Assisto ao maior número possível de jogos, apesar das dificuldades de fuso horário e grades de transmissões para Portugal. Desde 1962 não perco um jogo do Brasil. Não sou contra quem faz boicote contra esta Copa. Motivos não faltam. O inominável tratamento do maior país sede a delegações de algumas nações -inclusive a árbitros – é de uma indignidade sem precedentes.
Lembro que em 70, por conta da ditadura esboçou-se um boicote à seleção brasileira. Micou ao primeiro show contra a Tchecoslováquia.
Na Argentina, nem a resistência segurou a onda contra o regime militar quando a bola rolou. No Catar também houve quem tentasse boicotar contra valores culturais locais, proibiçao de álcool, opressão à mulher e condições desumanas dos trabalhadores dos estádios.
Sempre há motivos, cada um que escolha o seu ou os desconsidere.
No Brasil, gritavam “não vai ter Copa”. Bola fora. E teve a inesquecível Copa do 7 a 1.
Não seria eu ingênuo a ponto de fechar os olhos aos rumos tortos e sanguinários da potência que acha que manda no mundo, até na toda poderosa FIFA, que aflautou a voz, curvada à cara emburrada e aos olhos endiabrados do pseudo imperador.
Sim, vou ver a Copa no aconchego do meu sofá.
Tive infância. Tive pai, avô, tios e amigos apaixonados por futebol. Pelo puro e simples futebol. Pelo artista em movimento. Pelo torcedor que ri e chora. Pelos amores que se conectam, no meu caso, cá e além-mar. Pelos afetos que bebem juntos.
Copa é encontro, é abraço, é bolão entre amigos, é bafo bafo, é dor e delícia, é memória que aflora. Copa do Mundo, seja onde for, é uma viagem dentro de mim mesmo.
Ontem meu neto ligou do Brasil: “Fofô, sabia que eu completei a França no álbum?”.
O mais sublime e definitivo motivo para não boicotar Copa alguma.
Com todo respeito às razões e emoções dos contrários.
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José Guilherme Vereza
José Guilherme Vereza é publicitário, redator, diretor de criação, escritor, ficcionista, cronista, roteirista. Pós graduado em Pedagogia, acrescentou o “professor” nessa lista de coisas que gosta de fazer. E não para por aí. É pai de quatro (objetiva e subjetivamente), avô de dois, metido a cozinheiro, botafoguense típico, ama escrever. Ter sido convocado para o timaço do Crônicas da Copa é seu imodesto gol de placa.
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