Hoje chega ao final uma das Copas mais eletrizantes que assisti. E olha que vivi 18, conquistei maioridade no assunto.
Foram jogos espetaculares, surpreendentes, revelando atores e elencos até então desconhecidos, que acabaram por emocionar os amantes do futebol e escrever suas histórias na História.
No entanto, a Copa 2026 tinha tudo para dar errado.
A começar pela prepotência arbitrária, supremacista e arrogante do maior país sede.
Seu imperador desqualificado, legitimado pelas urnas e desmoralizado pela parte saudável da sociedade de lá, tentou interferir nas regras, anulando com o capachildo da FIFA um cartão vermelho e a consequente não suspensão do grosseiro infrator.
Temi naquela atitude truculenta por uma armação futura em prol do time dos Estados Unidos. Mas os deuses do futebol não cochilaram e a seleção do Tio Trump levou um Vietnã de 4 e saiu de rabo entre as pernas, tais nos conflitos guerreiros onde eles se metem a besta como valentões do planeta.
Mas não foi só isso. A repressão contra imigrantes se acirrou. Os iranianos sofreram humilhações. Um juiz foi impedido de entrar e voltou para sua Somália nos braços do seu povo. O racismo mostrou sua estupidez. Torcedores comportaram-se como trogloditas.
Mas como viver é um permanente exercício de equilíbrio de contradições, apesar do fiasco moral, das intenções malignas e da bajulação de certas estrelas do campo ao poderoso astro de bunda de fora, as quatro linhas salvaram o mundo do que seria o triunfo de um estado absoluto e desgraçado.
Lembro incomodado da premonitória série O Conto de Aia. Quem viu não esquece a analogia. E a ameaça que assusta.
Hoje Argentina e Espanha disputam a grande final. São equipes encantadoras cada uma do seu jeito. Nas arquibancadas das duas torcidas alguns estúpidos imitarão macaco, os argentinos cantarão aquela musiquinha ofensiva contra os brasileiros, que saíram merecidamente cedo da Copa, mas eles carregam um rancor histórico, não param de zoar Pelé. Pra quê? Eles têm o segundo maior jogador genial da história e um cinema de primeiríssima qualidade. Por que a ira? Por que a inveja?
Mas deixa pra lá. Vou torcer pelo futebol. Se na disputa pelo terceiro lugar o jogo de ontem foi exuberante, espero que a final seja digna da beleza dentro das quatro linhas que foi essa Copa.
Apesar dos pesares.
Compartilhar:
José Guilherme Vereza
José Guilherme Vereza é publicitário, redator, diretor de criação, escritor, ficcionista, cronista, roteirista. Pós graduado em Pedagogia, acrescentou o “professor” nessa lista de coisas que gosta de fazer. E não para por aí. É pai de quatro (objetiva e subjetivamente), avô de dois, metido a cozinheiro, botafoguense típico, ama escrever. Ter sido convocado para o timaço do Crônicas da Copa é seu imodesto gol de placa.
Todas as crônicas do autor
Curta nossa página no Facebook e acompanhe as crônicas mais recentes.
Crônicas Recentes.
Alexandre Brandão
20/07/2026
Carlos Castelo
20/07/2026
Romero Pio
20/07/2026
Carlos Castelo
19/07/2026
Caio Junqueira Maciel
19/07/2026
José Guilherme Vereza
19/07/2026
Caio Junqueira Maciel
19/07/2026