QUAL O LIMITE DA PAIXÃO?

Já repararam que a vida de ídolo futebolístico no maior mercado do mundo tem relação direta com sua eficiência em campo? Vini Jr., assim que chegou ao Real Madrid, realizando partidas notáveis, era aclamado dentro e fora de campo. Bastou algumas partidas ruins e algumas tretas com gente poderosa para cair em desgraça e sofrer vaias. Só depois que provou (mais uma vez!) ser decisivo, voltou à ordem do dia.
Ainda no Real Madrid: o ex palmeirense Endrick chegou no clube com a bola toda, fazendo e acontecendo. Bastou diminuir a eficácia e com a chegada do francês M’Bappe para Endrick ir cantar em outra freguesia: não importa quanto custou nem quanto ganha; se não cumpriu com o esperado, a porta da rua é serventia da casa. Se for falta de adeus… No caso, foi emprestado ao Lyon da França, onde reencontrou seu bom futebol. Mas foi por pouco. Seria uma pena , pois Endrick é daqueles que quando toca na bola se percebe qual sua escola!
Na Europa de hoje existe uma brutal disputa para ser admitido da seleta elite dos clubes de ponta. Os ídolos de hoje na Europa tem prazo de validade, não são mais eternos. Sempre farão parte da história dos clubes, mas a bajulação deixa de lado o endeusamento para se tornar uma relação sóbria.
Perguntem ao torcedor do Barcelona o que ele acha do Neymar. Muito provável ser defenestrado por ter ousado preferir o PSG, seduzido por promessas de protagonismo e grana, muita grana. Mas a grana, curiosamente, nem tem a palavra final. Neymar foi fundamental na afirmação do PSG como um dos grandes, mas a relação que começou com breves atritos, se tornou insuportável e não pensaram duas vezes em mandá-lo para o deserto árabe, único “mercado” disponível, insuficiente para bancar a possibilidade de ir a Copa. Restou voltar às origens, cair nos braços de uma torcida que o idolatra.
Pois no Brasil é diferente, a relação transcende a lógica cartesiana. O torcedor apaixonado está sempre pronto a perdoar. O técnico da seleção, o italiano Ancelotti, deve ter percebido a índole da paixão do brasileiro pelo futebol, pelos ídolos e numa decisão mais simples do que pode parecer a uma análise superficial, decidiu-se por tê-lo a seu lado, mesmo na condição de amuleto. O italiano pretende viver muitos anos no Brasil e não quis ficar para a história como o gringo que cortou Neymar da Copa. Convenhamos: é perfeitamente compreensível um amuleto da sorte na 26ª opção… (se fossem 23 os convocados, sem chance).
Neymar infelizmente não tem mais condições físicas, está estourado. Precisaria de longos meses de dedicação e foco total, coisa que ele nunca fez e nunca fará. Ele não é um atleta de alto rendimento, é uma celebridade, relações públicas da seleção brasileira. Não é pouca coisa, considerando a natureza pirotécnica da Maior das Copas! Até quando ele aceitará tal papel?

Compartilhar:

Curta nossa página no Facebook e acompanhe as crônicas mais recentes.