Copa 2026

Obrigada, Cabo Verde ( antes mais tarde do que nunca mais )

Escrevo neste momento para me desviar de um assunto preocupante. Preciso de um desvio certeiro, que nem o chute do Sidny Lopes Cabral, quando fez o segundo gol para o Cabo Verde. Sei que muito já se escreveu sobre a sensação que todos nós fomos dormir ontem, por causa de Argentina X Cabo Verde. Antes mais tarde do que nunca mais. Eu achei tão surreal aquele time de negros bonitos

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MOLEZA E ESPINHA DE BACALHAU

Lentamente a maior Copa de Todos os Tempos, versão 2026, vai se afunilando e ganhando forma enquanto mentes criativas já estão a pleno vapor para organizar a próxima Maior de Todas as Copas, que deve acomodar 64 países. A favor podemos alimentar desde já a possibilidade do surgimento de gratas surpresas, como a sensação Cabo Verde, que já fez história. Se eu fosse de Fernando de Noronha ou de Cananéia

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Tubarõis Azuis, nha irmons

Há um mar entre nós e Cabo Verde, mas é um mar mentiroso: por baixo dele corre o mesmo sangue, a mesma cana, a mesma dor antiga que virou dança. Quando os holofotes do Mundial de 2026 acenderam sobre aquele arquipélago de meio milhão de almas, alguma coisa em mim se ajoelhou. Não era só futebol. Era história cobrando o troco em forma de gol. Eles empataram com a Espanha.

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NÃO CHORO POR TI, ARGENTINA

Não choro por ti, Argentina, tampouco choro por Cabo Verde porque este merece meu riso e aplauso meu mais vivo entusiasmo. Não choro por ti, Argentina, pois isso já foi feito pelas mães da Praça de Maio e por todos órfãos de Maradona. Nem choro por ti, Cabo Verde, que em sua estreia na Copa, mostrou bravura, determinação e coragem. Mostrou que sonhar é possível assim como é concreto conjugar

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CANARINHA

O amigo Antonino Brandão, que mora em Portugal me fez uma observação pertinente. E como tal, passei a reparar o carinho que os portugueses têm com a seleção brasileira. Chega a ser comovente. Eles chamam o nosso time de Canarinha. Do mesmo jeito que o Brasil inteiro chamava orgulhosamente os representantes da pátria de chuteiras, com mínima flexão de gênero. Inho no ligar de Inha. Claro que as coisas mudaram.

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PORTUGOOOOL

A primeira vez que ouvi falar em gol de Portugal foi em Lorena, no interior de São Paulo, no início da década de 1960. Como minha família tem muitos parentes lá, fomos visitar meu tio Titita, aliás, Teófilo era seu nome, que morava numa bela chácara. E lá ouvi, numa antiga eletrola, um disco de humor de José Vasconcelos. Entre suas piadas, havia uma que ele irradiava um jogo da

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A PAUSA

E Deus disse: faça-se a Pausa. E Eva não mordeu a maçã. E Caim largou a pedra e deixou Abel viver. E a chuva cessou e Noé e os animais deixaram a arca. E o fogo apagou em Sodoma e Gomorra. E bem mais tarde a bomba não caiu no Japão. E a bola não traiu Barbosa e Brasil ficou no empate com Uruguai. E Alemanha parou de fazer gol

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Palavras na marca do pênalti

O jogador já se retirou dos gramados, mas, se não fosse o caso, teríamos um problema. Estou falando do Deley, defensor principalmente do Fluminense, mas com passagens pelo Palmeiras, Botafogo, Volta Redonda e até mesmo pela seleção. Em tempos de diferentes tecnologias utilizadas na transmissão dos jogos, o que ocasiona o tal delay, o nome do jogador e essa praga responsável pela chegada da informação na casa do vizinho antes

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A volta dos camisas 10

Mico-leão-dourado, as tartarugas e os camisas 10 estão em extinção. Essa rara espécie para quem gosta de futebol está sofrendo um processo de erradicação severa nos últimos anos. Culpa dos treinadores tatiquentos, dos empresários e de uma globalização “tipo-exportação” ao incentivo de formar pontinhas ciscadores e volantes armadores para serem vendidos ao futebol europeu. Com um jogo de velocidade e de muita força física, focado na intensidade, praticado nas principais

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O Bobo da Corte

Caro leitor, Este autor não poderia silenciar diante do espetáculo de Houston — pois o Brasil, caro leitor, sofreu como sofre todo grande amor: traído por um passe, ferido no primeiro ato, e redimido apenas no último minuto, quando o coração já não cabia no peito. E foi um passe — apenas um — que rasgou a ferida. Aos vinte e oito minutos, a camisa de número 13 do Danilo

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