PORTUGOOOOL

A primeira vez que ouvi falar em gol de Portugal foi em Lorena, no interior de São Paulo, no início da década de 1960. Como minha família tem muitos parentes lá, fomos visitar meu tio Titita, aliás, Teófilo era seu nome, que morava numa bela chácara. E lá ouvi, numa antiga eletrola, um disco de humor de José Vasconcelos. Entre suas piadas, havia uma que ele irradiava um jogo da seleção portuguesa. E quando ela fez um gol, o Zé narrava eufórico, histérico mesmo, como se fosse a coisa mais inaudita e extraordinária do mundo. “Gooool de Portugal… Portugal fez um gooool!” Diga-se que, naquela época, o selecionado luso ainda não havia verdadeiramente dado as caras no nobre esporte bretão…
Porém, em 1966, Portugal, com um técnico brasileiro cheio de glória, compareceu com competência na Copa do Mundo na Inglaterra, e liquidou o Brasil por 3×1, chegando ao terceiro lugar naquela competição. Como o Brasil saiu precocemente da Copa, na fase de grupo (perdeu também por 3×1 da Hungria), meu time preferido foi Portugal, que tinha Costa Pereira, Hilário, Simões, Graça, Coluna e… Eusébio! Tenho até um time de botões com essa escalação.
Depois, com o treinador Felipão, Portugal foi galgando lugar expressivo entre os grandes selecionados mundiais. E apareceu o Cristiano Ronaldo, que virou ídolo de muita gente, inclusive de meu filho caçula e alguns sobrinhos.
Um gol português tornou-se coisa natural, sem a absurda, insólita e estridente gritaria do saudoso humorista Zé Vasconcelos. Aliás, gosto muito de uma piada dele em que um interlocutor diz a ele: como vai, seu Barcelos? E ele responde: meu nome é VASCONCELOS! E o interlocutor; Ah, desculpe-me, seu Teófilo!
No jogo contra a Croácia, Portugal dominava, mas o placar não mexia. Fiquei pensando que ia acontecer como foi Brasil x Japão, a gente ia levar uma mordida. E dito e feito, crocodilo sutil, a Croácia foi lá e mordeu, fez 1 x 0. Depois, CR7 fez um golaço, foi minha vez de gritar que nem o Zé Vasconcelos (e faço questão de frisar: VASCOncelos), mas houve impedimento. Absurdo a regra de impedimento milimétrico, a Fifa tem que acabar com essa burocracia torpe.
Mas veio o pênalti e o CR7 fez o dele. No finalzinho, a Croácia fez outro gol, mas a banheira era evidente, visível, quase escandalosa. Fui dormi feliz, pois depois do Brasil, Portugal é meu segundo time na Copa.
Desculpe-me, seu Teófilo.

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