FOME DE BOLA

(Para Ronaldo Guimarães)
Éramos meninos e famintos de bola.
Éramos meninos e famintos de copas.
Comigo começou em 1958.
E aprendi a cantar: Garrincha que brilhou lá Suécia, Garrincha que nasceu em Pau Grande.
Não sei o que me impressionou mais: a Suécia, com as louras suecas, ou a inveja do Pau Grande.
Mas, lá no Sul de Minas, enquanto meu pai ouvia o Brasil golear a Suécia, eu jogava botão na sala.
Em 1962 acompanhei com mais atenção e com mais fome.
E ganhei no bolo com o placar de 3 x 1 contra a Tchecoslováquia.
Sofri em 1966, embora começasse a ter certa paixão pela seleção de Portugal.
Sabia de cor todo aquele time que tinha Costa Pereira, Coluna, Eusébio…
Mas a fome voltou voraz em 1970, embora a persignação de Petras, no primeiro gol contra o Brasil, na primeira partida, fez com que a sombra da Tchecoslováquia pairasse no céu da pátria por um instante.
Mas veio o Tri: vibrei atravessando o Viaduto de Santa Teresa, vinda da Floresta para o centro de BH. Achei-me cidadão do mundo, feliz da vida.
Fome de bola, fome de copas, anos sucessivos. Não sofri tanto em 1982, pois meu filho Pedro nasceu em pleno jogo contra a Nova Zelândia. E ele tinha fome era de mamar. Mamãe eu quero.
E aí vi 1994, já com três filhos, de olho em Romário e Bebeto.
Anos de jejum, decepção de 1998, a volta por cima em 2002.
Depois, ah, depois.
Agora é o que se vê, ou o que estar por vir.
Fome? Nessa idade? Toma juízo, vovô Caio.

Compartilhar:

Curta nossa página no Facebook e acompanhe as crônicas mais recentes.

Crônicas Recentes.