Muito se disse e escreveu e muito vai se escrever e falar sobre a argentina e os argentinos, sua história, suas qualidades e defeitos, seus acertos e equívocos, como qualquer outro povo. E do quanto pode soar danoso qualquer tipo de definição apressada – seja por alguém insignificante ou um alto baluarte ou “vaca sagrada” da imprensa, dos negócios ou das finanças: esse é um campo minado, forrado de cascas de banana.
Contudo e mesmo assim, não posso me dar ao luxo de me omitir. Não posso, por exemplo, calar-me diante dos atos de racismo, das mazelas administrativas, as lamentáveis intervenções políticas na sua pior versão. Não estará longe da verdade quem afirmar que a Maior Copa pode ter sido também a mais caótica, desorganizada e abusiva. Escolham: o que fizeram com a seleção do Irã, com o árbitro somali, a anulação de um cartão vermelho sob ordens do ditador da vez… De fazer inveja a Idi Amin Dadá.
Que fique claro que aqueles gatos pingados, milionários de péssimo gosto, não correspondem ao verdadeiro povo argentino, cuja imensa maioria não tem 8 mil dólares para custear o ingresso mais barato. De qualquer forma, é injusto que mesmo uma pequena parte de um grupo carregue toda a pecha de “racista” para todo o sempre. A praga do racismo está impregnada na sociedade humana e só mesmo a criminalização da manifestação racista pode acabar com a mesma. Não vale alegar que não sabia, foi sem querer ou foi brincadeira.
E quanto aos jogadores argentinos – com exceção do Flaco Lopez – que ficaram de costas enquanto seus adversários em campo eram premiados?… O que eles queriam? Queriam ganhar a Copa depois de ficarem 109 minutos sem dar um único chute ao gol??
O que queriam, os distintos senhores liderados por aquele que pretendia ultrapassar o Rei Pelé, contando para tal com o apoio de muitos brasileiros inconformados? Ah, quase esqueço! Tem brasileiro que tem no racismo sua razão despudorada de ser…
O que queriam, os distintos senhores virando as costas aos vencedores? Ora, são alfabetizados, a maioria é rica, vive na Europa e pensa que é europeu. Seus da grana e pobres de espírito. Não compreendem a essência do esporte, sua razão de ser. Ignoram a importância social ou mesmo espiritual do futebol, onde ganhar ou perder realmente faz parte do jogo…
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Joca
Sociólogo, ex funcionário público. Autor d'A Invenção da Palavra e Pequena História do Mundo (Fábulas voltadas para o universo infantil e infanto juvenil). A publicar: O Presidente Que Burlou o Golpe (fábula política).
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