Foi a Copa que mais faturou e a mais desorganizada de todos os tempos. Um feito digno da era em que eficiência é opcional, mas o caixa jamais pode sair perdendo. Descobriram, enfim, que o futebol não precisa funcionar: basta monetizar.
Os estádios brilhavam como vitrines de shopping. Os patrocinadores sorriam em alta definição. As plataformas digitais despejavam estatísticas em tempo real. Só o torcedor permanecia no velho modo analógico: perdido, espremido em filas, enfrentando revistas policiais e uma logística que parecia desenhada por um comitê especializado em desencontros.
É curioso. Nunca se vendeu tanta experiência para oferecer tão pouca. O espetáculo começou a tratar o público como detalhe operacional. Afinal, quem paga ingresso (caríssimo), assinatura, camisa oficial e estacionamento já demonstrou vocação para o sacrifício.
A Copa virou uma metáfora do nosso tempo. Tudo é premium, exclusivo e personalizado. Desde que ninguém espere lá muita organização. Porque o importante não é entregar, é faturar.
No frigir dos ovos, os balanços financeiros levantarão a taça, enquanto relatórios celebrarão recordes históricos de receita. Os transtornos ficarão relegados às redes sociais, onde indignação também rende engajamento, mas logo desaparece.
Talvez essa tenha sido a maior vitória do torneio: provar que, hoje em dia, o placar é mero detalhe. O resultado que realmente importa é o que aparece no extrato bancário.