BALANÇO DA COPA:

Finda a Maior Copa. Hora de balanço? Balanço de perdedor é lamber as feridas, apaziguar frustrações, repensar equívocos.
Fui, desde que me entendo como “gente”, educado para acreditar que somos o país do futebol. Apesar dos desmentidos que a cada vez ficam evidentes, não vejo problema nisso: acreditar que somos o país do futebol. O problema é avisar os demais, que não tem o menor pudor em nos desmentir.
Ser o país do futebol se tornou para nós um colchão de nostalgias. Deitamos no berço esplendido das belezas naturais, do sol o ano inteiro, das fantasias estatísticas que garantem que somos o povo mais feliz do mundo . Ora, se somos os mais felizes, não precisamos buscar o caminho do Nirvana: já estamos nele.
Para que fosse possível realizar a maior Copa de Todos os Tempos, o mundo acionou o “modo alucinante” , que nos jogou a todos num frenesi de imagens, sons, gritos. As transmissões não se limitam aos jogos em si, mas a tudo o que cerca o jogo. Na partida final, o intervalo durou quase 30 minutos para caber uma apresentação de Madonna. Até que ponto um micro show de Madonna tem a ver com o futebol? Se buscar um pouquinho de lógica ,veremos que tem a ver com a lógica doo espetáculo. Afinal, futebol e espetáculos pop tem tudo a ver. A diferença é que um previsível e o outro imprevisível (mas a tecnologias está aí para mostrar que as distâncias entre previsibilidades e imprevisibilidades podem encurtar. A questão é: qual limite, não dos recordes, mas do pudor???).
Escrevi numa crônica anterior que a globalização não fez bem ao futebol brasileiro. Mas isso tem solução : é só o Brasil se tornar europeu. Nacionalismos e cidadanias são meros detalhes, digamos, do ponto de vista legal. Então, quem sabe, poderemos competir em igualdade de condições contando que na herança genética do time tenha uma sombra da ginga ancestral. Aí, não ter pra ninguém!
Até lá, teremos mais uma Maior Copa – com 60 países e 6 países-sedes (Paraguai, Uruguai, Argentina, Espanha, Portugal e Marrocos). Teremos tempo de sobra.
Mas na hora do balanço, quero que tenha uma rede na varanda e um ganzá para seguir o ritmo. Vamos subverter o mundo com o balanço de ganzá, pandeiros, matracas…

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