O FUTEBOL E ALGUNS MITOS

Diz o ditado popular: “se não pode derrotar o inimigo, una-se a ele.”
É o que me resta fazer com relação à seleção Argentina. Mesmo um notório partidário da rivalidade ancestral, a hora é de “emborcar a viola“ e reconhecer que eles nos deram verdadeiras aulas de como uma equipe de futebol deve se comportar em campo. (Em tempo: a expressão “emborcar a viola”, caso tenha passado despercebida por alguém, significa, num embate entre repentistas, reconhecer que o oponente venceu o duelo de violas. Os embates entre repentistas teve seu apogeu entre o final do século XIX, até meados da metade do século XX. Eram memoráveis disputas que poderiam levar dias. Um dos mais notórios repentistas era o Cego Aderaldo, homenageado por Egberto Gismonti. Desafios de violas eram a atração principal das feiras, centro da vida social das vilas do sertão nordestino).
Pois bem: me rendo aos argentinos porque não adianta torcer contra eles! Torna-se uma chatice, é perder duas vezes! Não adianta provocá-los. Parece que gostam de sofrer, mas se engana quem os julgar “masoquistas”. Ficam se fingindo de mortos, por mais vantagens que o adversário tenha, se der moleza, “pimba”! Os ingleses sentiram na pele a catimba argentina da pior maneira. Se bem que os ingleses… Gente, será mesmo verdade que esses caras inventaram o futebol? Desconfio que se trata de lenda, eles são bons nisso, vide a lenda do Rei Arthur e daquele que se autodenomina o deus da guitarra… Ou talvez eles tenham inventado outro tipo de futebol, não esse gênero que é conhecido como o mais popular do mundo. Contra a Argentina a Inglaterra não apenas perdeu, mereceu perder, pela covardia demonstrada. Deu vergonha.
A maior Copa da História – pelo menos até 2030 – chega ao fim com recordes e mazelas, indignas do padrão FIFA. Mas merece nota o discurso do técnico do Egito, lembrando ao mundo que existe um genocídio em Gaza, que o mundo não pode esquecer disso! Tivemos de adiar nosso sonho de Hexa, mas cá entre nós, não merecemos. Perdemos para um time de pescadores, façam-me o favor!
Sobre a final: apesar de doloroso, seria melhor para o mundo do futebol (não apenas para o mundo dos negócios) a Argentina ganhar e de lambuja, um bicampeonato seguido, façanha, se não estou enganado, que só Itália (1934 e 1938) e Brasil (1958 e 1962) conseguiram.
Alto lá! Não estou dizendo que vou torcer pela Argentina, a rivalidade acima de tudo. Estou dizendo que isso seria melhor para o futebol como um todo. Especialmente, seria ótimo para desmentir inabaláveis certezas, furadas, que muitos “estudiosos” do futebol alardeiam como verdade. Uma delas: de que vida inteligente no futebol só existe na rica Europa, onde tudo é melhor e mais organizado! Atenção: que tal lembrar que dinheiro não é tudo? Coincidentemente, pode acontecer de o futebol imitar a vida! Pode ajudar muito, mas não garante felicidade.
Outra verdade suspeita: que no futebol moderno não existe espaço para jovens abaixo dos 18 ou 17 anos. Ouvi muitos “sábios” analistas doutrinando que o futebol moderno exige força e velocidade, que não adianta lançar jovens franzinos como aconteceu no passado (o ponta Edu, aos 16 anos; Pelé aos 16; Coutinho aos 15, entre outros). Que esses “entendidos” tem a dizer do jovem catalão Lamine Yamal?
Enfim e afinal, se quisermos ter uma geração vencedora, junto com um trabalho a longo prazo, desde a base, precisamos adentrar alguns mistérios: de onde vem essa alegria genuína de jogar futebol? O que realmente motiva um cara de 39 anos, milionário, a se comportar no campo de jogo com a alegria de uma criança? Falo, claro, de Messi, que trata a bola como um presente de aniversário.

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