Coxinha; Bolinho de Bacalhau, Croquete e Quibinho; Alheiras, Tremoços e Azeitona; Aipim Frito, Pastel e Pica-Pau. No banco, o comando de Alentejano, seu auxiliar Beirão, o massagista Amarguinha e o médico Água das Pedras.
Pronto. Já escalei meu time para receber os amigos cá em casa, na minha 18° estreia de Copa do Mundo, sábado 11 da noite de Lisboa.
Amo receber pessoas queridas. Tanto quanto futebol, talvez.
Dizem que no Brasil a animação anda de bola murcha, mas imigrante é diferente.
Tem saudade de seus amores em além-mar, não para de cantarolar Caetano, Chico, Gil, Marisa, Gal e Dominguinhos (“Ái, isso aqui tá muito bom, isso aqui tá bom demais…”), toca surdo e tamborim, lê noticiário digital de Terras Brasilis, pede cafezinho forte, fica de madrugada vendo Brasileirão, procura e acha pão de queijo, não perde show de MPB, cinema brasileiro nem a chance de vestir a amarelinha.
Não aquela camisa de Seleçao usurpada por quem grunhe por golpe, reza para pneu, apoia genocidas e torturadores, despreza a ciência, a arte e a cultura, e sonha com um estrupício internacional alaranjado se metendo no Brasil.
Meu patriotismo é límpido como o ar que se deve respirar. Mesmo que não tenha a menor identificação com o time do qualificado Ancelotti.
Pela primeira vez desde 1958, conheço pouquíssimos jogadores. Nem sei quem Carlo vai definir contra o simpático e traiçoeiro Marrocos. Sejam quais forem os titulares e possíveis reservas, que sempre entram para melhorar o segundo tempo, espero que honrem meus acepipes escalados.
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José Guilherme Vereza
José Guilherme Vereza é publicitário, redator, diretor de criação, escritor, ficcionista, cronista, roteirista. Pós graduado em Pedagogia, acrescentou o “professor” nessa lista de coisas que gosta de fazer. E não para por aí. É pai de quatro (objetiva e subjetivamente), avô de dois, metido a cozinheiro, botafoguense típico, ama escrever. Ter sido convocado para o timaço do Crônicas da Copa é seu imodesto gol de placa.
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