PÁTRIA OU MÁTRIA AMADA?

Estamos a poucos dias da estréia do Brasil na maior Copa do Mundo de todos os tempos! Não é pouca coisa esse recorde eterno – considerando que “eterno” é um tempo considerável! Deixando de lado as digressões filosóficas, atemo-nos ao que nos interessa diretamente: a seleção brasileira, pela primeira vez dirigida por um italiano, representante mór da velha e pragmática escola europeia (reconheçamos, em boa hora! Nunca tivemos tantos jogadores “pragmáticos”. Que venha em boa hora o patriotismo divino). A Pátria ou Mátria agradece.
Há quem diga que houve tempos em que os entusiasmo pela amarelinha acendia acalorados debates, por toda parte: na hora do cafezinho, no bar, na padaria, no transporte público. Teria diminuído o interesse pela seleção, uma vez que a maioria dos brasileiros sequer conhece os convocados? É provável, mas não é a causa principal. O mundo tornou-se diverso, multipolar e volúvel. Não sobra muito tempo para paixões duradouras. Não que tenha diminuído o amor pela seleção, mas o amor pela seleção pode ter encontrado concorrentes num mundo carente de imagens velozes e vorazes. Já faz parte do passado a ideia de que qualquer pessoa tinha direito a 15 minutos de fama! Na verdade, 5 minutinhos de fama está de bom tamanho. Ou melhor, uma imagem, uma pose pode garantir um instante de fama instantânea – mesmo que isso lhe custe a vida, ao despencar num abismo em busca da self perfeita.
Três jogadores brasileiro vão jogar por outras seleções: Mateus Nunes, por Portugal; Maurício (ex-Palmeiras) pelo Paraguai e Lucas Mendes pelo Catar. Não perderiam a Maior de Todas as Copas por nada e se considerarmos que as competições internacionais tem como objetivo principal a disputa leal e respeitosa entre povos distintos, é um caminho para que os seres humanos não pareçam tão estranhos uns aos outros.
Em tempo: Irã e Iraque, uma vez classificados, deveriam ser recebidos pelo anfitrião principal com respeito: o primeiro tem de chegar e sair dos EUA no mesmo dia do seu jogo; o capitão do Iraque ao chegar foi submetido a um interrogatório de 7 horas. Será que as competentes agências de informações detectaram alguns homens-bomba nas delegações? Ou submeter o próximo a constrangimentos é a nova fase de nossa civilização ocidental?

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