Publi contrária

Esses tempos pré-Copa do mundo costumam ser bem animados. No Brasil inteiro, aquela profusão de verde e amarelo, lojas e camelôs vendendo de tudo – cornetas, chapéus, perucas engraçadas –, as pessoas falando mais de futebol. E o mais divertido: começando a combinar onde vão se juntar pra assistir as partidas, no barzinho perto do trabalho, na casa daquele primo chato, em casa com a família. O que vale é compartilhar o sonho de sermos campeões mais uma vez. Este ano, contudo, sinto a empolgação geral menor. Sei lá, talvez porque a gente não conheça a maior parte dos jogadores escalados, a maioria fazendo carreira no exterior. Mas em meio a esse clima, tem algo que vem me incomodando bastante, não sei que isso acontece com todo mundo.

Com a proximidade do evento, de uns tempos pra cá, o noticiário agora é dividido em duas partes: 50% assuntos nacionais e internacionais e 50% a Copa do Mundo, o que é natural. Gostando ou não de futebol, estando ou não animados com o nosso time, acabamos sabendo mais da história (e das lesões) de cada um daqueles rapazes desconhecidos para a maioria, sempre naquela mesma ladainha de “superação”. Até aí, tudo bem.

Mas o que mais chama a atenção é a profusão de logotipos das marcas patrocinadoras que invadiu os uniformes, a parede de fundo das coletivas de imprensa. Lembro que antigamente era uma marca ou duas patrocinando o esporte, e elas apareciam discretamente nos uniformes, na porta dos estádios, no final dos comerciais na TV ou anúncios na imprensa. Agora são dezenas e em tamanhos cada vez maiores, tudo isso jogado na nossa cara. E, ignorantemente me pergunto: o futebol ficou mais caro, demanda mais dinheiro, ou é a ganância e a vontade de acumular que acabou gerando isso? Ignorante mesmo, porque não entendo nada de finanças nem mesmo de esporte. Sou só uma mulher que reage e tem a estranha mania de ficar refletindo.

Cada vez mais a publicidade e o marketing invadem o mundo de forma bastante agressiva. Lembro quando começaram a aparecer publicidades criadas digitalmente em torno do campo nos estádios mundo afora, e que ficam martelando marcas nos nossos cérebros durante toda a partida sem que a gente se dê conta. Nos uniformes dos jogadores elas vêm tomando cada vez mais espaço. No MMA europeu e asiático, por exemplo, até a pele dos atletas se transformou num espaço publicitário. Quem acompanha esse esporte sabe do que estou dizendo, é de estarrecer!

Não sei como isso bate nos espectadores em geral, ou se as pessoas pararam para pensar nisso. Só sei que, em mim, essa forçada de barra publicitária, gera aversão. Estou com tanta raiva da Sadia, do Itau, do Guaraná Antartica e de outras tantas marcas às quais venho sendo obrigada a ver a todo momento que peguei bode dessas marcas. Será que todo mundo sente assim, ou será que ando muito sensível?

Nanete Neves, jornalista, escritora, editora e ministrante de cursos de escrita criativa, ghostwriting, biografias e memórias.

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