Pontas

Minhas atuais preocupações relacionam-se com assuntos tão inalcançáveis que até deixo de me preocupar um pouco.

Primeiro: o jeito que o mundo vai. Melhor dizendo, não vai. Enquanto a catástrofe ambiental derruba portas e paredes, sopra furacões, inunda cidades e seca regiões antes responsáveis por regar aquelas distantes e menos afortunadas em água, governos, empresários e não sei mais quem dão de ombro, o futuro que cuide disso, é hora de encher o bolso de mais dinheiro ainda.

Segundo: a história não ensina nada a quem deveria té-la na ponta da língua: os poderosos. Depois de guerras aqui e acolá, duas chamadas de mundiais, os homens armados destroem o que lhes parece um estorvo. Blum é a trilha sonora na Palestina. Ziiiiploft, no Irã, que, mais estruturado, descarrega mísseis em seus vizinhos aliados a estadunidenses e israelenses.

Terceiro: toda essa gente da grana e do poder desmedido se reúne em torno de projetos que querem da ciência apenas aquilo que garanta seu poder. Estão dispensadas as vacinas, os avanços sociais, a criação de redes que promovam encontros, ao contrário da que nos oferecem, um estimulo a esses valores sem valor algum.

Quarto: a liberdade individual tem uma leitura muito estranha, ela deve obedecer o que alguns acham que vem de Deus. Assim, aqui no nosso Brasilzinho, o Senado aprova em segundos uma lei que dificulta o aborto em crianças violentadas por algum monstro, não raro, um familiar dela.

Poderia listar a quinta, a sexta, a sétima, a milionésima, mas vou dar um salto e cair direto na décima milésima.

Bota ponta, Telê!

Como assim o time tem um monte de ponta e o Telê não é mais técnico?

Vocês querem que eu me sufoque nas preocupações inalcançáveis. Isso não se faz.

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