Agora que nos tornamos hexacampeões, já podemos pensar em outras coisas. O quê? Ainda nem começou o campeonato? E aquele 6 a 2 no poderoso selecionado do Panamá? Um treino? Chame o VAR, algo está errado, estão tentando nos roubar a taça. Isso deve fazer parte desses tarifaços que o senhor Laranja, no comando da nação em vias de desmoronar, impõe a meio mundo. É o último grito do Império. Aliás, não estranharei se os jogadores de soccer sagrarem-se campeões pela primeira vez na vida. Temos visto coisas do arco da velha na sociedade que se gabava de ser a maior democracia do mundo.
Vejam bem, levei um susto com a história que havíamos apenas jogado um amistoso no último domingo e, empurrado por ele, liguei minha máquina de destratar essa direita descaradamente contrária à vida harmoniosa. Me desculpem. Vamos ao futebol.
Confesso a vocês que não vi o jogo. Nem os gols nas mesas redondas da vida. Por conseguinte, não assisti a nenhuma mesa redonda. Então o que estou fazendo aqui? Ora essa, sou um torcedor e ajo do jeito que achar melhor. O meu tem sido ignorar a seleção. Mas isso passa, quanto mais agora que um dos jogadores do Botafogo tem sido fundamental ao time. Dá-lhe, Danilo. Dribla um, dribla dois, de trivela mete a bola lá na zona do agrião. Menino, tu tá parecendo o canhotinha de ouro. Com um alvinegro no time é mais fácil ser torcedor.
Vocês fazem bem em conter meu ímpeto, afinal o Botafogo está em um imbróglio ininteligível, pelo menos para mim, mero torcedor que leva canetas de palavrinhas difíceis de lidar. Vamos lá: o Fogão foi comprado por um gringo, o gringo usou e abusou do time — embora o tenha feito campeão brasileiro e da Libertadores —, começou a ser questionado lá na gringolândia, parece que vai perder o controle sobre o time. Tudo isso dito na linguagem do mundo financeiro, dialeto que nem na Torre de Babel encontraria um par. Quer dizer, a turma do toma lá, dá cá, não só entende como lucra com ele.
O pior de tudo, segundo ouço por aí, é que o Danilo não volta a General Severiano, e ele mal chegou. Pensando bem, depois do Palmeiras, o atleta parece borboleta, pousa rapidamente nos times pelos quais passa. Só me resta implorar, o que farei emulando Adoniran Barbosa: fica mais um pouco, Danilo, eu ainda não te vi campeão. Nem pelo Fogo, nem pelo escrete canarinho.
Vocês podem não acreditar, mas meu pessimismo é o primeiro sinal de que estou entrando no clima. Até dia 13, vou ser o torcedor modelo, é só questão de aprender o nome dos meninos e a forma certa de dizer o do treinador.