A ALEGRIA DE UM POVO

Sadio Mané fez fortuna no futebol. Uma grande parte dela foi destinada a melhorar a triste realidade de Bambali, o vilarejo onde nasceu nos cafundós do Senegal.
Mané fugiu sem chuteira para ganhar gramados, glórias e dinheiro. Deu certo.
Mas não esqueceu Bambali. Investiu pesado em infraestruturas da sua cidadezinha natal, coisas essenciais que antes pareciam impossíveis de acontecer na vida dos moradores. Um hospital moderno, com atendimento para maternidade, e uma escola de ensino médio equipada com laptops para os alunos, internet 4G para toda a região, ampliando o acesso à comunicação e à informação. E não ficou por aí: construiu um estádio de futebol na região e também passou a tirar do próprio bolso mensalmente algo em torno 70 euros para cada família do vilarejo, o que vitaminou a economia da comunidade e consequentemente ajudou a vencer a miséria que assombrava sua gente.
O futebol tem dessas coisas. Enquanto é uma engrenagem altamente capitalista, o maior show business misturado com reality show do planeta, capaz de gerar e concentrar um dinheirão colossal, é também capaz de produzir histórias comoventes e confortadoras.
O Brasil já fez muita gente feliz com a magia do jogo da bola, como se dele fôssemos os inventores. Tivemos dores e delícias – e ainda teremos, não sei quando – como se o futebol fosse a extensão da nossa alma. Tivemos tanto orgulho de pertencer à nação do melhor futebol do mundo, tivemos a pá de cal no nosso complexo de vira lata, tivemos o planetário Pelé, sinônimo de Brasil em qualquer canto do mundo. E ainda o nosso Mané, a alegria do povo.
O Mané do Senegal foi mais discreto, menos midiático. Do seu jeito, fez a alegria de um povo.

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