Antes de tudo, reafirmo meu desconforto ante o novo modelo de transmissão, via youtube, CaséTV, que somos forçados frente à limitação dos jogos transmitidos. Se no futuro eu for perguntado sobre o que achei mais estranho na Maior Copa Que já Existiu, além do número interminável de seleções, minha resposta “talvez” recaia sobre o modelo de transmissão que terminou prevalecendo. Digo “talvez”, porque talvez eu não diga nada! Não por não ter resposta, mas para não gastar neurônios com algo de importância relativa: a primeira coisa que me ocorre é que esse estilo CaséTV se trata de uma “zueira”, uma espécie de “Perdidos na Noite” (o velho programa que um dia lançou o então repórter de campo Fausto Silva ao estrelato) ampliado e em horário nobre… Digo isso porque não acho absurdo ter a opção de assistir e acompanhar uma narração sóbria, contida: queria que não me fosse imposto goela abaixo tudo o que é novidade.
Dito isso, voltemos ao jogo de bola e ao mundo convencional: o Brasil ganhou do Haiti por 3 X 0 e naturalmente – frente a insegurança que nossa seleção apresenta, foi feita uma festa danada, tanto pela torcida mas principalmente pela maior parte da imprensa esportiva. Por toda parte, a frase nem precisava ser mencionada: “agora vai! Rumo ao Hexacampeonato!”
Não vou ser eu a ser um dos chatos exigentes de futebol bonito. Time que ganha de 3 X 0 merece festejar, é goleada. E se não foi mais, pode ter sido por mera modéstia! Ou podem ter ficado penalizados com o pobre Haiti, povo que tem passado por poucas e nada boas nos últimos anos. Entretanto…
…entretanto, pode não ter sido “mera modéstia”. Pode ter sido “mera molenga”, mera preguiça em correr mais, pois saldo de gols pode ser importante na decisão de classificação.
Consultando Meus Botões, o melhor comentarista que conheço, os mesmos foram enfáticos: o futebol apresentado pelo Brasil nos últimos anos, é isso que estamos presenciando. Nada de mais ou de menos, é isso. A importância dos nossos craques foi minimizada, embora ainda tenham grande prestígio. Isso representa a vitória da organização tática sobre o espírito anárquico que sempre predominou no nosso futebol desde que os negros foram admitidos na prática desportiva nas primeiras décadas do século XX! (Sempre lembrar que o esporte trazido por Charles Miller era uma recreação somente permitida às classes ricas, os jogadores entravam em campo de gravata!) O drible, a ginga e toda espécie de improvisação perdeu a razão de ser num esporte que virou negócio, onde convém controlar o “artista”, fazer dele obediente taticamente. Rebeldes? Nem pensar!
Lembrar que o atual técnico, o Ancelotti, quando era técnico do Real Madrid, deu uma séria bronca no recém contratado Endrick por ele ter partido para cima do adversário com a bola em vez de passar para o companheiro melhor colocado. Detalhe, Endrick fez o gol, mas a bronca do técnico foi mantida e talvez por isso seja sempre preterido. Para o técnico, ele é um egoísta. Fazer o quê? Os dirigentes brasileiros que foram buscar o Ancelotti! Vitória final do viralatismo?
Nem tudo está perdido. Confirmando uma antiga profecia do Rei Pelé, o futuro do futebol está na África. Atualmente a maioria dos craques mundiais tem origem africana. Falar nisso, a atitude de um alemão (ou naturalizado alemão) chamou atenção no jogo contra a Costa do Marfim: entrou na área e ao ser combatido, “mergulhou” na tentativa de cavar penalty! Até, tu, alemão? Quem diria, os “éticos” alemães na trilha da malandragem! Mas isso não é de hoje. Não faz muito tempo os “éticos” alemães, aproveitando um descuido do governo brasileiro, tentaram patentear a rapadura! Imagine! Teriam os alemães inventado a rapadura. Para a nossa sorte, não foram vencedores na solicitação ou estaríamos pagando royalties por cada rapadurinha que fabricássemos por cá! Cada uma! Parece piada, mas não é…
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Joca
Sociólogo, ex funcionário público. Autor d'A Invenção da Palavra e Pequena História do Mundo (Fábulas voltadas para o universo infantil e infanto juvenil). A publicar: O Presidente Que Burlou o Golpe (fábula política).
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