Crônica

COMO NELSON RODRIGUES TERIA VISTO ESSA SELEÇÃO?

Machista da boca pra fora, feminista de coração, assim era o nosso cronista e teatrólogo maior. Nelson escrevia como uma máquina, escrevia crônicas, peças, histórias do cotidiano, falava sobre o amor e o desamor, dos desajustes familiares, sobre a vida como ela é. Mas, acima de tudo, Nelson falava sobre futebol. E como falava. Nas suas linhas, o futebol não era um esporte, era um dogma, uma liturgia na qual

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Samba-reggae e duas heroínas

A cada subida e descida do velho jato da Aeroflot eu tinha certeza de que o avião explodiria no ar e eu me despediria deste mundo ainda muito jovem. Ele lançava estranho vapor e deixava uma espécie de neblina pairada dentro da aeronave. Comemos e dormimos por 25 horas, feito frangos de granja, na longa viagem de Moscou para Quito, onde eu morava. Depois de termos parado em Dublin, Irlanda,

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Os homens que narravam as mulheres

Abro os olhos por volta das 11h, bêbada de sono e cachaça. Ligo a TV para ver as meninas que vencem de 2 a 1. Me perco na beleza das jogadoras. Não a beleza das bundas e do decote, pelo qual acabo de ser lembrada em um comentário no facebook. Mas a beleza que esmaga, se sobrepõe, insiste. A beleza que atropela e ameaça. Que não se deixa servir de

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Sobre Andressa, e o bom futebol

Saio saciado desta estreia do nosso onze feminino. Me pego mesmo risonho. Não vou comentar, como muitos estão a fazer, sobre a superação que é, para cada uma delas, estar ali. Seria inexato. Incompleto. Prefiro focar no que é realmente a ossatura desse escrete: o bom futebol. Elas jogaram como uma seleção brasileira deve jogar. Elas foram Brasil. Ponto. Elas atacaram do início ao fim. Jogaram muita bola. Como deve

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Só o improviso salva

Como era de se esperar, o onze oriental veio com uma cínica Muralha da China. A Alemanha, também não fugiu do seu chavão, e veio com seu costumeiro toque de bola maquinal. Posse do couro pra lá e pra cá, mas nada de varar a amurada rígida. Zero a zero manjado, coluna do meio. A China bem que tentou enredar, com contra-ataques bem alinhavados, e a sua camisa 9 Yang

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GOSTO DO FUTEBOL DAS MENINAS, TALKEY?

Talkey, sou um alienado. Reservei este domingo para me abstrair de pesos reais, vizinhos potencialmente armados, cortes travestidos de contingenciamentos, sing in the rains, conjes, astrólogos terraplanistas, snipers eleitos, loas a torturadores, filhos que se acham, pai que não acha nada demais, queiorozes ocultos, ódios a opositores, beicinhos contra a mídia, horizontes turvos, novas previdências nubladas, damares em geral. Talkey, sou um infeliz sem partido, que não enxerga a obsessão

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Nosso lugar ao sol

A WWC estreou comigo envolvida na Feira do Livro de Brasília e tomada por compromissos. No entanto, o desafio da Fernanda de Aragão para que voltasse a publicar as Crônicas da Copa também no certame feminino me pegou pelo orgulho feminista e não pude resistir. Consegui assistir ao jogo de estreia das francesas (já comentada em outra crônica), à vitória das norueguesas sobre as nigerianas, ao duelo das nossas próximas

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O dia em que o Piauí quase estreou em uma Copa do Mundo

Get up, stand up: don’t give up the fight! (Bob Marley) Ainda é difícil ouvir o hino ou usar a camisa amarela da seleção brasileira de futebol novamente. Tanto pelo gosto amargo que a seleção da Bélgica deixou na minha garganta no verão russo passado, quanto pela associação da tal camisa à situação política caótica que vivemos por aqui. Não vesti a camisa. Respirei fundo e ouvi o hino observando

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De fins e recomeços

Encerrei minha participação entre os cronistas da Copa do Mundo de Futebol 2018 neste projeto hoje retomado com a citação de uma música (Era só começo o nosso fim), ansiando pela edição seguinte daquele certame, no Catar 2022, sem ter ideia de que um ano depois estaríamos todos de volta, e com motivação inimaginável até então. É que nunca, até hoje, a Copa do Mundo de Futebol Feminino (Fifa WWC)

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Sobre Marta, Jamaica e ser humano

– Curtiu escrever as crônicas da Copa da Rússia? – Muito. – Topa escrever sobre a Copa de futebol feminino? – Sem chance. Não acompanho e não sei nada sobre. – Sabe vôlei? Tem masculino e feminino. – É diferente. – As ações dos homens são mais rígidas; no jogo das mulheres existe a mesma tensão, só que menos violenta. – Futebol feminino parece outro esporte. – Você ouviu o

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