Caio Junqueira Maciel

Crônicas publicadas no projeto.

PORTUGOOOOL

A primeira vez que ouvi falar em gol de Portugal foi em Lorena, no interior de São Paulo, no início da década de 1960. Como minha família tem muitos parentes lá, fomos visitar meu tio Titita, aliás, Teófilo era seu nome, que morava numa bela chácara. E lá ouvi, numa antiga eletrola, um disco de humor de José Vasconcelos. Entre

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A PAUSA

E Deus disse: faça-se a Pausa. E Eva não mordeu a maçã. E Caim largou a pedra e deixou Abel viver. E a chuva cessou e Noé e os animais deixaram a arca. E o fogo apagou em Sodoma e Gomorra. E bem mais tarde a bomba não caiu no Japão. E a bola não traiu Barbosa e Brasil ficou

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CORAÇÃO DE TORCEDOR

Cara, eu já começava a fazer piadas com aqueles nomes de japoneses. Era marca de moto, marca de televisão, tinha até um que machucou, acho que era o Tanamaka. * E o Brasil tocando bola, parecia que o técnico era o Diniz. Pior que eu estava no Cazé TV na Dinizlândia. * E tinha aquelas bolas aéreas que o Brasil

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APRENDI COM A COPA

Aprendi com a Copa: quem sabe faz a hora, mas se fizer cera vai tomar escanteio. * Agora todos jogadores são goleiros nas pausas de hidratação. Cada um toma seu gole. Em jogo de zero a zero há goles em vez de gols. * Tem jogador que fica igual barata tonta no campo: eles correm atrás da sombra do drone

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BETS BALANÇA

BETS BALANÇA (Caizé & Cazuzé) Pare de seguir esta estrada Não leva a nenhum lugar É fantasia, ilusão No ponto em que vai te quebrar Traz um futuro duvidoso Sem ter grana, apenas dor É paraíso perigoso Quem vende a sua alma enganou Quem joga esse jogo não avança Bets balança, que horror A sua sorte vai-se embora Seja mais

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UMA TARDE PORTUGUESA

Calhou de assistir ao jogo de Portugal x Uzbequistão com meu amigo português, Grainha, em viagem ao Brasil. Logo de cara, quando Cristiano Ronaldo quase marca um gol, ele me diz: – Um falhante! Como assim, eu digo, foi apenas uma furada. – Ora, pois, falhante é que vocês chamam de furada! Quando o Cristiano Ronaldo corre para marcar um

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UM JOGADOR QUE SEMPRE AMANHECE

Inevitável, logo após ver Argentina e Áustria, lembrar-me do poeta simbolista português, Eugênio de Castro, que leva a musicalidade aos píncaros do sonho naqueles célebres versos: “Na messe, que enlouquece, estremece a quermesse…/ O sol, o celestial girassol, esmorece…” Só que não quero falar do Eugênio, mas do gênio argentino. Que nunca esmorece, pois eis que ele é um girassol

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CADÊ A TABELINHA?

CADÊ A TABELINHA? Manuel Bandeira, num poema, clamou: “Eu quero as três mulheres do sabonete Araxá!” Vinicius de Moraes, num poema, suplicou: “Meu Deus, eu quero a mulher que passa!” Pois venho aqui, humilde, modesto, numa breve crônica sobre Copa do Mundo, simplesmente pedir: “EU QUERO UMA TABELA DA COPA DO MUNDO!” Não falo das tabelas que estão na internet,

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DE COMO UMA OLHEIRA PODE RESOLVER O PROBLEMA DA SELEÇÃO

(para Sérgio Fantini; Aluísio Sá; Francisco de Morais Mendes; Gilberto Xavier e Hugo Almeida.) Olha, nasci em 1952 e foi só no fim dessa década que vi a primeira mulher de calças compridas: foi minha tia Diguinha. E foi no começo da década de 1960 que vi a primeira mulher guiando uma kombi, foi a dona Nísia, mulher do seu

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VOCÊ PEGA OS TUBARÕES AZUIS

Com licença de Lô Borges, você não vai pegar o trem azul, mas os Tubarões Azuis, como o pessoal de Cabo Verde batiza sua aguerrida seleção. Com o sol na cabeça, no estádio chamado Mercedes Benz, em Atlanta, esses tubarões pararam o touro espanhol, com todos aqueles craques, incluindo a vassoura atômica, que é o descabelado Cucurella. Creio que nunca

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