O café sai escalado, a torrada recebe cartão amarelo por excesso de crocância, e o vizinho comenta impedimento enquanto rega os cactos. Ninguém conversa sobre chuva, livros ou política; tudo termina em estatísticas recitadas com solenidade sacerdotal. O controle remoto virou cetro, os narradores ocupam mais espaço mental que a família, e qualquer silêncio recebe replay. Até o cachorro late em ritmo de torcida, embora torça apenas pela chegada da ração.
Descobri que existem especialistas instantâneos, capazes de explicar qualquer lance antes dele acontecer. Se a bola espirra, nasce um filósofo; se entra, aparecem dez profetas. Enquanto isso, fabricantes de sofá deveriam ganhar bônus por resistência, porque suportam especialistas saltando a cada lance, derramando pipoca sobre as almofadas e as certezas, sempre jurando conhecer o destino da bola antes do primeiro quique.
Chega de Copa! Que acabe logo o torneio que, desde o primeiro jogo, transformou a vida numa interminável mesa-redonda.