A gente se lembra do primeiro amigo no colégio, do primeiro “pet”, do primeiro beijo, daquela “primeira vez”, do primeiro estágio e até da primeira camisa do time. Como não lembrar da primeira Copa?
Faz tempo que coloco a camisa da Seleção para torcer e sofrer numa Copa do Mundo, mas eu me lembro direitinho da primeira vez em que gritei gol do Brasil por uma, duas, três vezes enquanto a TV mostrava o mesmo lance, pois eu achava que o jogo estava três a zero, com o coração disparado, como se cada replay fosse um novo gol.
Teve aquela Copa em que fomos campeões mundiais pela quarta vez na primeira final decidida nos pênaltis. Aquela foi a minha primeira “super” Copa.
Depois vieram a primeira Copa da madrugada, a primeira no continente africano, a primeira vivida das arquibancadas com a Musa da Copa e aquela primeira do Tite, cada uma nos ensinando um jeito novo de viver a mesma emoção.
Em cada Copa, alguém está vivendo alguma coisa nova pela primeira vez.
Nesta, temos a estreia de Curaçao, Cabo Verde, Jordânia e Uzbequistão. Para o Canadá, já veio o primeiro jogo em casa e a primeira vitória em Copas. Aliás, é a primeira vez que o torneio se espalha por três países, mas ainda com muros bem altos separando cada um deles.
Talvez seja a primeira vez que eu me sento em frente à TV sem o alvoroço, o entusiasmo e aquela esperança cega de sermos campeões.
No outro canto do sofá, um pré-adolescente torcedor na sua terceira Copa, na primeira em que entendeu o que é torcer e sofrer pela Seleção, já palpitando sobre a convocação do Neymar pelo “Mister” italiano.
A primeira em que ele cuida da planilha invisível das figurinhas do álbum e coordena as trocas com amigos e desconhecidos.
É a primeira Copa em que é ele quem escolhe o canal pra assistir ao jogo do Brasil.
A primeira semana de Copa se foi como aqueles filmes da Sessão da Tarde: inédito para uns, falas na ponta da língua pra outros.
Entre veteranos, estreantes e quem jura que não vê nenhum jogo, a Copa segue repetindo cenas, inventando histórias e lembrando que a gente sempre encontra um jeito de viver tudo isso como se fosse a primeira vez, mesmo sabendo que não é.