Pergentino e a Copa

Mensagem que recebi no zap do meu avô, Pergentino Castelo, depois do jogo entre Brasil e Marrocos:

“Nunca testemunhei desgraçamento esportivo tão estragoso quanto o tal do Galvão Bueno desembarcado no SBT para narrar Copa do Mundo.
Dantes, futebol era coisa de respeito, de silêncio religioso, cada torcedor escutando o chute da redonda como quem ouve conselho de avô moribundoso. No que não, aparece Galvão, trombeteiro de si mesmo, e toma conta da partida feito marimbondo em garapa.
O sujeito não narra. Faz um galvanismo de palavra. É teteré-teté daqui, tereré-teté dali, um esparramamento de voz que cobre o campo, os jogadores, o juiz e, se vacilar, até o gramado.
Lá em Monjolo do Imbigo Fundo já dizia meu finado tio Serafim: “Quando o berrante cresce mais que a boiada, o pasto acaba surdo.” É o que digo.
Vem lance bonito, passe soberboso, defesa milagrosa, e Galvão por cima, à força de garganta e entusiasmento, feito pé-de-vento dentro de capela.
Resultado: a Copa ficou menasmente Copa e mais Galvão.
E isso, se mal pergunto, é que nem raposa tomando conta de galinheiro. Pode até ser serviço de direito, mas o galinhame sofre.”

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