Crônica

O Jura Que Sabe: Brasil e Sérvia

O pessoal do Jura Que Sabe gosta de ver os jogos do Brasil no boteco do Novelo. Contra a Sérvia foi na quarta, à tarde. Dolores foi, e levou o namorado. Dolores não se interessa por futebol, mas parece que se interessa. Ela não entende de futebol, mas parece que entende. Dolores não tem varinha de condão, mas parece que tem. Ela não é mais inteligente que todo mundo, mas

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A Copa do silêncio

Essa é uma Copa silenciosa. Lembro-me de quando era criança: a Copa de 70. Não só durante os gols do escrete canarinho havia uma saraivada de bombas, bombinhas e traques dos mais diversos calibres. A artilharia já começava bem antes das partidas e seguia por horas a fio depois de seu final. Eu mesmo, para economizar os caramurus mais barulhentos, tinha lá meus expedientes pessoais para representar nossa casa com

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Detetive

Após uma partida vergonhosa, a Alemanha, nossa melhor inimiga, se despede como a chacota oficial da Copa do Mundo 2018. A maldição se comprova. Mas qual delas? Temos quatros candidatas: 1) A queda dos gigantes: Após a histeria da eliminação (seja em choro, risos, ou mero espanto), constatou-se algo inusitado. Desde 2002, toda campeã cai em desgraça na primeira fase da Copa seguinte. França, dona da casa e da taça

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2×0 magro

O futebol tem dessas coisas: expressões e clichês que sintetizam um jogo. Quando nosso time goleia o adversário dizemos: “foi um passeio!”. Se a vitória foi indiscutível, não dando chances para o rival, “demos uma aula”.  Agora, se acontece do favorito perder, é porque “deu zebra”. Quando falamos do placar, também temos explicações curtas. Um a zero é o placar mínimo, 3×0 é o clássico, 4 em diante é goleada.

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GENTE ESQUISITA.

Wilma e Raulino odiavam futebol e Copa do Mundo. Tinham orgulho de dizer que não distinguiam uma bola de futebol de um melão. Já haviam fugido de várias Copas, o que chamavam de burburinho insano, balbúrdia incivilizada, foguetório agressivo, uma alegria artificial e manipulada, um detestável carnaval fora de época dos detestáveis carnavais de fevereiro. Dessa vez, os motivos lhes esfregavam os narizes. Diziam que o Brasil estava em franco

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A dor fantasma

Eu estava concentrada no trabalho quando escutei janela afora uma comemoração efusiva. Gritos, cornetas, buzinas, como se não houvesse mais expediente nesse país. Teria eu pedido a noção do tempo e o Brasil já estava em campo? Não, não era isso. Era a Alemanha apanhando da Coreia (yeah). Era a alegria do brasileiro com a desclassificação do adversário (e por que não dizer inimigo) mais memorável da história das copas.

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Gente mordeu cachorro

Meu leitorado me pede a crônica do jogo do Brasil e eu, ranço de jornalista por 30 anos, preferiria falar da Alemanha, essa sim a notícia do dia. Máxima do jornalismo: cachorro morder um homem não é notícia; ser humano morder cachorro é que é. Hoje gente mordeu cachorro e a Alemanha viveu seu “momento 7×1”. Ok, pessoal, nada vingará “aqueles” 7×1, mas a Argentina perder de três pra Croácia

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Neymar e seu labirinto

Neymar tem um ovo (de galinha, não me interpretem mal) ao alcance da mão. Em vez de pega-lo, prefere perseguir a galinha mais arisca do terreiro e obrigar a penosa a por um ovo só para ele. A cena deve incluir um galo mal-humorado bicando as canelas do craque. Se o terreiro for irregular, com buracos e atoleiros que provoquem tombos e joelhos ralados, melhor ainda. Ao final, Neymar terá

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Quem sabe um dia

Sentados à mesa de sempre do bar de sempre desde as 10h da manhã, com aquelas cangibrinas cheirosas descendo uma atrás da outra, céu lusco-fusco, Tristão, Poleto, Simões, Almeríades e Tobias se encaminham para o que seria o fim da resenha sobre aqueles jogos merrecas que fizeram nossa seleção, quando Almeríades, que sempre mais fala do que escuta e bebe, abriu a boca: – Tem uma coisa me incomodando faz

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Celebração das contradições

Às vezes, nada se espera de um jogo. Quando dois times já classificados entram em campo, por exemplo. Quase sempre vira apenas um teste para reservas, ajudando a poupar aquele jogador importante. Cumpre-se a tabela, nada mais. Era esse o espírito sobre o campo apesar dos discursos de técnicos e capitães nas coletivas de imprensa. E quando um dos times é o anfitrião que acredita estar com a bola toda?

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