Contra a Austria, o argentino Lionel Messi quase fez o impossível. Ou melhor, fez o impossível.
Ver Messi vibrando como uma criança me faz pensar que nos meses que antecediam a Copa de 2022 Messi caminhava para o ocaso da carreira. Vencedor inconteste, mas era uma tristeza que dava dó! O mundo do esporte lamentava que o craque fizera em campo o impossível para ser o maior da história do Barcelona, o que não é pouca coisa. Mas nunca ganhara nada relevante para a seleção argentina e por isso Lionel era injustamente rotulado de jogador de clube.
Desde 2006 que ele penava. Teve a parceria de importantes companheiros – Tevez, Agueiro, Riquelme, entre outros – e Messi não tinha vez, não era protagonista o bastante. As Copas de 2010, 2014, 2018 passaram por Messi que abaixava a cabeça envergonhado. Quando era reconhecido, onde quer que andasse, era vaiado e agredido verbalmente: Messi era a personificação do “pobre menino rico!” Os compatriotas o acusavam de não se dedicar o bastante.
As coisas começaram a mudar com a conquista da Copa América que Los Hermanos não ganhavam a algumas dezenas de anos, em pleno Maracanã e diante do Brasil – lembro-me de muita gente que torceu não para a Argentina ganhar, mas para Messi ganhar! Seria uma consolação, pois a Argentina andava desacreditada. Mas ele aproveitou o embalo para se consagrar, com doses de dramaticidade surpreendente: veio com a conquista da Copa de 2022! Messi pelo menos poderia encerrar gloriosamente a carreira. Mas o rapaz miúdo, com físico antiatlético, mostra que tamanho não é documento e nem só de brucutus se ganha. Pegou gosto pela coisa e neste 2026 está mostrando que não está pra brincadeira: até aqui marcou todos os gols de seu time, quebrando recordes e se credenciando ao título. Mas tem mais, un poquito más! Que tal desafiar o impossível, como só os gênios o fazem?
Aconteceu contra a Austria. Lionel Messi realizou o sonho de todo boleiro, seja nas arenas ou nos campinhos de várzea. O mágico feito nem Pelé, nem Maradona, nem Garrinha, nem Di Stefano, nem Cruyff, muito menos Cristiano Ronaldo foram capazes: Messi disparou pelo setor direito e mostrando não ser fominha, lançou uma bola açucarada para o companheiro Lautaro. Deu o passe, e acompanhou o lance, como se estivesse a conferir de perto a conclusão da jogada. Lautaro, um atacante convencional, chuta em cima do goleiro, que rebate próximo a Messi que fulmina qualquer pretensão de assanhamento e reação do time austríaco. E o jogador que poderia ter encerrado a carreira 5 anos atrás, comemora como se fosse um adolescente.
Não era para menos: foi como se tivesse batido o escanteio, corresse para a área e marcasse de cabeça. Guardadas as proporções, sua jogada pode ser assim traduzida e com o passar dos anos, deverá entrar no reino da Mitologia do futebol: desafiou leis da física e da lógica!
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Joca
Sociólogo, ex funcionário público. Autor d'A Invenção da Palavra e Pequena História do Mundo (Fábulas voltadas para o universo infantil e infanto juvenil). A publicar: O Presidente Que Burlou o Golpe (fábula política).
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