Se dia 16 de junho se comemora o Bloomday, personagem do livro Ulisses, de Joyce, dia 20 será lembrado como Roomday, o dia em que o goleiro de Curaçâo fechou o gol às más intenções equatorianas.
Dia 16 foi o dia que o personagem de Joyce cortou as ruas de Dublin, dia 20, o que Room não fez mais que movimentos paralelos entre as traves que defendia, sendo que em algumas vezes seu movimento foram saltos destemidos e certeiros que sempre o levavam ao chão, ora agarrado à bola, ora jogando-a para longe do gol.
Para acompanhar o homem em Dublin exige-se um leitor culto, que se entregue à complexidade de Joyce. Para acompanhar o homem de Curaçao bastou gostar de futebol, de não se importar com a possível pouca qualidade do jogo entre duas seleções que jamais estampariam as listas de prováveis campeãs. Aliás, foi um jogo emocionante.
Se Ulisses e seu Bloom viverão por séculos e séculos, o jogo do dia 20 de junho de 2026 morrerá em breve, eternizando-se, quando muito, na vida dos atletas envolvidos, particularmente os de Curaçao e, mais particularmente ainda, na vida de Room. É verdade que, aqui e ali, seremos relembrados como um fato extraordinário em torno do esporte, e em Curaçao a lembrança perdurará um pouco mais, e descendentes de Room se orgulharão dele por toda eternidade.