José Guilherme Vereza

Crônicas publicadas no projeto.

COMBINARAM COM OS BELGAS?

A pergunta é atribuída a Garrincha, (russos, no lugar de belgas) na Copa de 58, proferida do alto da sua sábia pureza, durante uma preleção de vestiário, quando foi exposta uma estratégia infalível de vencer a poderosa URSS de Yashin e cia. A título de cultura inútil: há os que defendem que a indagação partiu de um soldado raso das,

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BAD ENGLISH AO PÉ DA LETRA.

– Excusa-me, Meg, não está na hora do evento? – O que você está falando sobre, adorável marido? – Pé na bola, adorável esposa. O jogo que nossos ancestrais inventaram… – Oh, sim… E se vulgarizou por sobre todo o mundo. – Diga popularizou, minha querida. Você não leu os papéis de notícias? – Sim. Há rumores que a princesa

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FIRMINO E OSÓRIO.

Pelas décadas de 30, havia um peão boiadeiro na fazenda do meu avô, nas fronteiras indefinidas entre Minas, Espírito Santo e Bahia, de nome Firmino. Era um caboclo forte, de sorriso reluzente, mas nem sempre estava na linha de frente de levar boiada pra lá e pra cá. Ficava pelos flancos da manada, tocando as reses com berrante ou gritos

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A COPA DO MUNDO É NOSSA.

Não, não se trata de um rompante ufanista e arrogante, na véspera de um jogo contra o misterioso e traiçoeiro México. Talvez o chili de amanhã nos caia indigesto, talvez não. Talvez teremos na próxima sexta uma intoxicação de chocolate belga, ou sejamos, depois de nadar, nadar e nadar, atropelados por uma barca de sushi na praia. Pode ser que

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HOJE NÃO ESTOU ME SENTINDO MUITO BEM.

Dormi mal, acordei péssimo. Tive insônia de encharcar lençóis alternada por pesadelos de querer gritar e não conseguir. Neymar com aquela instalação capilar que expôs no jogo contra a Suíça me aparecia recorrente socando a bola como no jogo da Costa Rica, xingando mi madre, rolando no chão do quarto, voando até o teto. Num determinado momento me aparecia Bruna

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GENTE ESQUISITA.

Wilma e Raulino odiavam futebol e Copa do Mundo. Tinham orgulho de dizer que não distinguiam uma bola de futebol de um melão. Já haviam fugido de várias Copas, o que chamavam de burburinho insano, balbúrdia incivilizada, foguetório agressivo, uma alegria artificial e manipulada, um detestável carnaval fora de época dos detestáveis carnavais de fevereiro. Dessa vez, os motivos lhes

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NÃO MATEM O VELHO.

Enquanto meus amigos de escola disputavam Bellini, figurinha carimbada dificílima, eu tinha Zagallo e não trocava por ninguém. Sempre tive simpatia por ele. Como jogador inventou o ponta esquerda recuado e abriu espaços para Nilton Santos ser um dos maiores laterais esquerdos do mundo e liberar Didi, eleito Mr. Football, o melhor jogador da Copa da Suécia. Numa festa junina

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COPA, SUA LINDA.

Na alegria e na tristeza, Copa é turbilhão de emoções. Entendedores da arte do futebol entenderão. Valem a pena acordar cedo, perder praia e cinema, não assistir a séries, ler menos, fazer um buraco no meu cantinho no sofá. A Copa é linda por todas as camisas, gritos, bandeiras, paixões e pelo que acontece nas quatro linhas. Seus primeiros 11

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MEU PAI VEIO.

Há exatamente 8 anos, num 22 de junho, meu pai se despedia da vida, em plena Copa do Mundo. Seus últimos dias foram estranhos. Já não reconhecia as pessoas, não falava coisa com coisa, repetia histórias da sua vida remota a cada cinco minutos, como se estivesse vivendo a infância, ali, naqueles agoras. Mas a tristeza de percebê-lo numa despedida

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MAL NÃO FAZ.

O que um botafoguense faz no instante em que seu time marca um gol? Resposta em um, dois, três. Pronto: olha para o juiz. Gol validado, abraços e loas à surpresa. Torcer pelo Botafogo é exercitar a neurose. Numa certa tarde de domingo no Maracanã, o Botafogo foi para um intervalo com 5 a zero contra o Corinthians, na época

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