Carlos Castelo

Crônicas publicadas no projeto.

Diários do Castelo na Copa

Cheguei ontem ao Catar. Já era para ter postado algo no Crônicas da Copa, mas houve um pequeno entrevero no aeroporto. Desci da aeronave segurando uma lata de cerveja e fui preso. Após o pagamento da fiança me colocaram em liberdade. Só que a delegacia ficava no meio do deserto. Vocês não imaginam o que é arrumar um Uber num

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Perdebilidade

Eu conheço alguns Tite. Podem não ser “o” Tite, mas operam exatamente como ele. Explico melhor a você, desencantado torcedor brasileiro. No mundo empresarial onde transito há décadas pululam dezenas de Tite. São indivíduos que expressam-se muitíssimo bem, são donos de um imenso carisma e uma gigantesca capacidade de envolver audiências. No entretanto, na hora de passar o traço na

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Torcidas brasileiras

Há os que torcem contorcendo-se. A ponto de, no pós-jogo, ficarem com torcicolo. Esses são do grupo dos apoiadores silenciosos. Uma categoria semitímida, mezzo pessimista, mezzo arredia – mas que nunca deixa de dar a maior força à sua equipe. Já cheguei a ver uma moça, do tipo calada, que, nos lances mais decisivos, vibrava. Quero dizer, ela tremia-se inteira,

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A grande final

Dia 15 de julho de 2018. Estádio russo mais lotado que lotérica em dia de Mega- Sena acumulada. Brasil e Suécia enfrentam-se pela final da Copa do Mundo. Considerada favorita desde as eliminatórias, a seleção canarinha vem fazendo uma campanha fora do comum. Passara por todos os oponentes, num impressionante crescendo a cada partida, chegando ao embate final invicta e

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Crítica de padarias

A nossa crítica gastrunómica d’hoje bai ritrataire u’a das peidarias mãis vadaladas da cidade. A peidaria Floire du Minho, lucalizada nu vunitu vairro di M’Voi Mirim. U’a das milhores coisas desti estavelecimento, muderno, igiênico – e, purquê num dizeire, supimpa , é tamvém u urário d’atendimento ao púvlico. A sabeire, das binte pás seis da matina à mãia-noute. Muito bãem,

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12 frases para dizer aos hermanos, caso ganhem a Copa

Eu sei que eu deveria estar pensando na integração latino-americana. Eu sei que eu devia valorizar o Bolívar. Eu sei que há laços inseparáveis entre nosotros – apesar da palavra “nosotros” não constar nos dicionários de língua portuguesa. Eu sei que o Jorge Drexler não vai curtir esse desapego pelos hermanos del Sur. Eu sei que eles amam o futebol

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A Copa do silêncio

Essa é uma Copa silenciosa. Lembro-me de quando era criança: a Copa de 70. Não só durante os gols do escrete canarinho havia uma saraivada de bombas, bombinhas e traques dos mais diversos calibres. A artilharia já começava bem antes das partidas e seguia por horas a fio depois de seu final. Eu mesmo, para economizar os caramurus mais barulhentos,

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Astolfo, alegria do povo

PRELIMINAR Estávamos ali, na frente da televisão, esperando o momento em que os jogadores chutariam a piroga. Final era sempre assim. Vestíamos nossas camisetas verde-amarelas e ficávamos olhando atentamente para a grama vermelha, os fogos-fátuos-de-eventos e aquele objeto hexagonal sendo chutado de um lado para o outro da arena coberta. Bebíamos gunta e fumávamos cuñola com uma ansiedade gigantesca nessas

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Migalhas da Copa

Jogador de seleção: atleta que recebe milhões de euros durante os campeonatos de futebol e adoece durante as copas do mundo. – Futebol é patrocinador, o resto é curling. – O maior adversário da seleção brasileira é a seleção brasileira. – Brasil, o melhor do mundo em amistosos. – Quando o sábio aponta para as estrelas, o Neymar olha para

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Tira o velho da sala

Vô Nofrinho, como sempre, hoje acordou cedo. Foi à padaria, comprou uma rosca de torresmo, pãezinhos franceses, leite desnatado e levou para casa. Eram 8h40 quando acabou de arrumar a mesa para a filha, o genro e os quatro netos. Minutos depois, os seis desceram correndo do andar superior do sobrado. O genro já pegou o controle e ligou no

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