Made in Paraguai

Sejamos sinceros, o Paraguai sofre todo o tipo de preconceito dos brasileiros. Tudo começou lá no século XIX. A tal guerra que nos deu um herói, Duque de Caxias, foi de fato um extermínio de paraguaios. Uma coisa feia, quer dizer, uma coisa cruel e merecedora de punição internacional. Naquela época, não havia esse olhar. Hoje, ainda que demore bastante, alguns déspotas acabam punidos em fóruns internacionais. Nem todos, vocês dirão, e eu concordarei com os olhos na Palestina.

Recentemente, o Paraguai se transformou no paraíso do contrabando. Nas décadas de 1970 a 1990, mais ou menos, importou-se muito uísque, lança-perfume e quinquilharias eletrônicas de lá. O famoso “Made in Paraguai” era o atestado de procedência dúbia, que, no entanto, cabia no nosso bolso de classe média metida a besta. Hoje, parece que lá se produz cigarros e seringas emagrecedoras falsificados. De todo jeito, há um movimento em dar uma repaginada no país, em torná-lo mais atraente. Não à toa sua economia tem crescido, com preços estabilizados. Entre suas grandes potencialidades, está a presença de uma matriz energética limpa – a usina de Itaipu, nossa e deles. Desejemos sucesso ao país, que no futuro ninguém use seu nome em tom irônico, sinônimo de contrabando, violência e autoritarismo.

Ajudará bastante dar um cala boca na França. Sim, estamos falando de Copa do Mundo, onde os países valem pelas chuteiras – no caso, todas ou quase todas rosa. Ao nosso vizinho transferimos a responsabilidade de dar um chega pra lá na seleção que de fato dá gosto de ver jogar. Os franceses, todos com origem na África, todos da diáspora, têm um futebol alegre, inteligente e efetivo. Olise, o craque, Mbappé, outro craque, e Dembélé, repito a palavra craque, formam um trio comparável aos melhores que já tivemos em terras brasileiras. Mas o Paraguai, que já despachou a Alemanha – logo ele que, conosco, na fronteira, abrigou nazistas em fuga – está preparado para segurar a França. Não só com o futebol, ou muito menos com o futebol, pois serão necessárias rezas, mandigas, promessas, bençãos aos pés de Gómez, Enciso e Maurício.

Vai, Paraguai!

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