Perder de virada

Às vezes a gente entra em campo e acha que tá arrasando. O jogo parece fácil. O universo parece torcer junto. Às vezes a gente acha que, do nada, puseram cinco estrelinhas no nosso peito, uma bola no nosso pé e um gol enorme na nossa frente e falaram: “Vai, filha, agora é chutar e correr pro abraço”.
E a partir daí é só gol contra. Como não desconfiar que esse jogo tá comprado? Como entender que, finalmente, o mundo está nos dando uma chance? Não de graça, mas porque a gente já comeu muita grama, já ralou pra caramba, já foi desmerecida tantas vezes.
Ficar com a cara no gol é complicado. Vai que a gente erra bem agora? Mas será que não é melhor decepcionar a torcida de uma vez e acabar logo com isso?
Esse boy tão bonito e gente boa que tá te dando bola? Nem investe. Tá tudo legal no trampo? Cai fora antes que estrague. Bora deixar os adversários tomarem conta. É melhor desistir da partida agora do que sair na final. Perder de virada pra evitar o 7 a 1 amargo que a vida tá sempre pronta pra nos dar. Fracassar antes, pra fracassar melhor. Quem sabe no próximo jogo a gente não drible esse orgulho e reconheça que até a melhor do mundo pode e deve falhar de vez em quando? Perder dói, mas entregar o jogo dá uma tristeza danada. Vai por mim.

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